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Estado de Minas

Democratas tremem com 'primárias da selva' na Califórnia


postado em 05/06/2018 09:42

Os democratas têm a missão de voltar a ser maioria no Congresso dos Estados Unidos, e sua cruzada passa por conquistar cadeiras que hoje estão nas mãos dos republicanos em lugares onde os primeiros costumam ter mais força, como na Califórnia.

Com uma economia de escala mundial, bastião democrata e ferrenho opositor ao governo de Donald Trump, o estado mais populoso dos Estados Unidos realiza suas primárias nesta terça-feira. Diferentemente do restante do país, essas primárias se parecem mais com o primeiro turno de uma eleição geral.

Os partidos não fazem processos separados. Segundo uma lei de 2010, há uma única cédula, na qual os dois candidatos mais votados passam para as eleições de novembro, sem importar a sigla a que pertencem. Ou seja, democratas e republicanos não têm sua presença garantida na cédula final.

Por isso, são chamadas de "primárias da selva" e geram tanta angústia em candidatos e eleitores.

"É um sistema que pode criar caos", disse à AFP Elaine Kamark, da Brookings Institution, em Washington, D.C.

Não há dúvida de que a Califórnia é o estado mais anti-Trump do país: desde que o presidente chegou à Casa Branca, os dois lados se enfrentaram em temas como imigração e meio ambiente.

"Há razões para crer que os democratas vão bem", acrescentou Kamark.

Nas eleições deste 5 de junho, os californianos escolherão os candidatos para governador, as 53 cadeiras da Câmara de Representantes e um de seus dois postos no Senado.

Alabama, Iowa, Mississippi, Montana, Nova Jersey, Novo México e Dakota do Sul também celebram suas primárias nesta terça.

- Os distritos-chave -

A oposição a Trump gerou uma excitação coletiva, e muitos candidatos decidiram se apresentar.

Na primária para substituir o governador em final de mandato, Jerry Brown, há 27 candidatos, com o vice-governador e ex-prefeito de São Francisco Gavin Newsom à frente nas pesquisas, seguido pelo ex-prefeito de Los Angeles Antonio Villaraigosa, também democrata e que aposta no voto latino, além do republicano John Cox.

O maior nervosismo está, porém, nas candidaturas ao Congresso. Os democratas precisam de 24 cadeiras para assumir o controle da Câmara de Representantes, e 28, para o Senado.

Apenas para a vaga da senadora Dianne Feinstein, que busca a reeleição, há cerca de 30 candidatos.

Os democratas estão de olho em sete distritos com representantes republicanos, nos quais Hillary Clinton saiu vitoriosa na eleição presidencial de 2016.

São tantos os candidatos inscritos, porém, que o medo é que, mesmo tendo a maioria dos votos, os democratas acabem se dividindo, o que poderia abrir espaço para os dois republicanos avançarem.

"A emoção do lado democrata e a ira contra o presidente Trump incentivaram muitas candidaturas. Isso fala bem dos democratas, mas é desvantajoso pela estrutura eleitoral" no estado, avaliou Louis DeSipio, professor da escola de Ciência Política da universidade UC Irvine.

- 'Desorganização e fragmentação' -

Ao contrário de outros países da América Latina e da Europa, os partidos não têm controle sobre os candidatos que apresentam sob sua bandeira.

Os dirigentes das siglas tentam dissuadir os candidatos para reduzir o número, mas sem sucesso.

E o problema não é apenas dos democratas. As candidaturas republicanas também são em grande volume.

"Pode ser um problema para os republicanos tanto quanto para os democratas", indicou Eric McGhee, do Instituto de Políticas públicas da Califórnia, ressaltando que, se passarem dois candidatos do mesmo partido - por exemplo, no caso do conservador condado de Orange - é mais provável que sejam republicanos.

Além disso, há mais pressão na oposição, porque una derrota "simbolizaria - na mídia - a desorganização e a fragmentação do partido na era Trump", afirmou Julian Zelizer, professor de História e de Assuntos Públicos na Universidade de Princeton.

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