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Estado de Minas

Senado dos EUA confirma Gina Haspel como diretora da CIA


postado em 17/05/2018 20:00

O Senado dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira (17) a nomeação de Gina Haspel como nova diretora da Agência Central de Inteligência (CIA), apesar da polêmica provocada por sua atuação na aplicação de métodos de tortura há uma década.

Haspel, de 61 anos, especialista em Rússia, se torna, assim, a primeira mulher a comandar a CIA. Ela ocupava interinamente o cargo desde que o diretor anterior, Mike Pompeo, assumiu como secretário de Estado.

Nesta quinta, a nomeação de Haspel foi aprovada por 54 votos a favor, 45 contra e uma ausência. Seis legisladores do opositor partido democrata votaram a favor da funcionária.

Na véspera, Haspel havia obtido o voto favorável à sua nomeação no Comitê de Inteligência no Senado, onde no fim do mês protagonizou uma polêmica audiência pública.

Durante essa audiência, Haspel se negou a condenar o uso de técnicas de tortura contra cidadãos estrangeiros suspeitos de serem "combatentes" contra os Estados Unidos durante a chamada "guerra ao terror".

- "Uma desgraça" -

Depois de confirmada a nomeação, a senadora democrata Elizabeth Warren afirmou que Haspel não era confiável.

"Patriotismo e senso comum não são a mesma coisa. E uma pessoa que coloca a proteção da agência (CIA) acima da proteção da lei não pode ser confiável", destacou.

Christopher Anders, vice-diretor da influente União das Liberdades Civis (UCLA, na sigla em inglês), destacou que a confirmação de Haspel era uma "desgraça para a democracia".

"Pela primeira vez na história dos Estados Unidos, a CIA será conduzida por alguém com um passado no uso da tortura", afirmou.

Haspel atuou inicialmente como agente disfarçada da CIA na Etiópia e no Azerbaijão.

Posteriormente, pediu para ser transferida para a divisão de ações terroristas, onde começou a trabalhar em 11 de setembro de 2001, precisamente no dia dos atentados contra Nova York e Washington, que deixaram quase 3.000 mortos.

Segundo o jornal The Washington Post, pelo menos dois ex-diretores da CIA - John Brennan e Leon Panetta - ajudaram a conseguir os votos necessários no Senado para a confirmação de Haspel.

De acordo com versões coincidentes, em meses recentes Haspel teria se tornado uma voz influente sobre o presidente Donald Trump, em particular na postura da Casa Branca com relação à Rússia.

Em março, os Estados Unidos expulsaram nada menos que 60 diplomatas russos de seu território, a quem acusou de doping, e ordenou o fechamento do consulado russo em Seattle.

- Audiência explosiva -

Haspel, que passou praticamente toda a vida nas sombras, tornou-se um rosto público em março, após a tumultuada audiência perante o Comitê de Inteligência do Senado.

Durante a sessão, Haspel se negou a responder a uma pergunta feita por um senador se considerasse "imoral" os brutais métodos de interrogatório que foram aplicados pelos agentes da CIA.

Estas torturas foram feitas em centros secretos de detenção, que as forças de segurança americanas mantinham em vários países do mundo.

Durante a "guerra ao terror", Haspel era a responsável por um destes centros de detenção na Tailândia.

Nesta audiência longa e polêmica, Haspel se negou inclusive a pronunciar a palavra "tortura" e se referiu simplesmente a um "programa de detenção de interrogatório".

No entanto, prometeu que sendo confirmada como diretora da CIA, não recorreria mais a estes métodos.

"Depois de ter servido durante estes tempos conturbados, ofereço meu compromisso pessoal, claro e sem reservas, de que sob a minha liderança a CIA não vai retomar estes programas de detenção e interrogatório", disse Haspel na ocasião.

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