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Estado de Minas

Macri pede redução do déficit fiscal e diz que crise foi superada


postado em 16/05/2018 21:54

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, pediu nesta quarta-feira um "grande acordo político" nacional para reduzir o déficit fiscal e considerou superada a crise cambial que o obrigou a pedir ajuda ao FMI.

"Consideramos que a turbulência cambial foi superada, mas acho importante reconhecer o momento de nervosismo que a população experimentou, o medo, a angústia", disse Macri em entrevista coletiva.

O peso voltou a baixar diante do dólar ao perder 0,65%, após a recuperação de terça-feira. O Banco Central disse ter interpretado "a mensagem do mercado", segundo seu governador, Federico Sturzenegger.

A taxa de câmbio fechou a 24,79 pesos o dólar, um dia depois de o Banco Central ter mencionado o perigo de um colapso financeiro se os fundos de investimento e poupadores corressem para a moeda americana.

Macri admitiu que pecou por ser otimista quando chegou ao governo no final de 2015 com o discurso de abrir a economia após uma década de protecionismo e desse modo atrair investimentos e estimular o crescimento.

"A autocrítica que me faço é que sempre fui muito positivo. Talvez tenha colocado metas ambiciosas para todos e não dissemos o diagnóstico duro".

A eliminação de subsídios aos serviços públicos e à flutuação da até então controlada taxa de câmbio aceleraram a inflação e geraram insatisfação social.

O governo agora enfrenta uma inflação anual de mais de 20% e déficits de conta corrente e fiscal cada vez mais difíceis de solucionar.

Macri ratificou as ações de seu ministro de Fazenda, Nicolás Dujovne, ao afirmar que haverá "um poco mais de inflação e um pouco menos de crescimento" do que o previsto para 2018.

- Déficit e dependência -

"O problema central é o déficit fiscal, temos que reduzi-lo, não podemos gastar mais do que temos e depender do mundo para nos emprestar dinheiro", afirmou.

Para isso, ele conclamou os argentinos e os líderes dos partidos políticos a aceitar uma redução do déficit fiscal, cujo nível primário, antes do pagamento da dívida, atingiu 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017.

"Já falei com governadores e senadores de diferentes espaços, porque temos que nos sentar para fazer um grande acordo sobre como vamos equilibrar algo que a Argentina não consegue fazer há mais de 70 anos", disse.

A crise levou Macri a pedir ao Fundo Monetário Internacional (FMI) uma linha "salva-vidas", que seria um crédito "stand by", como admitiu o organismo. Ainda não foram dados números sobre a ajuda.

"Ninguém vai nos impor condições", afirmou Macri enquanto setores sindicais e políticos advertem sobre o impacto de medidas e reformas que a Argentina pactuará com o FMI para acessar os fundos.

"Vão nos dizer em que números têm que ser a redução do déficit, mas como o reduzimos é um tema nosso", assegurou.

- Tarifas e protestos -

"O FMI não vai nos incomodar, é uma instituição séria, vamos fazer um acordo inteligente para consolidar o crescimento", disse Macri no fim de um dia em que milhares de pessoas marcharam pelas ruas do centro contra os fortes aumentos de tarifas e o acordo negociado com a entidade multilateral.

Questionado sobre os "tarifaços" - com aumentos de 26% a 57% nos preços dos serviços públicos -, Macri disse que estão confirmados, embora o Congresso - onde o partido governista perdeu aliados - vá votar nas próximas semanas a volta aos valores de novembro de 2017.

"Esta semana o que a política econômica do Banco Central nos deixa é uma desvalorização terrível que se repassa diretamente aos preços e afeta a todos os trabalhadores", declarou à AFP Sandra Di Claudio, que protestava em meio a cartazes de "Fora FMI".

- Artilharia pesada -

O BCRA emitiu na terça-feira bônus milionários em pesos para que o dinheiro não se dirigisse à compra de moeda norte-americana e vendeu 700 milhões das reservas. O BCRA impediu assim que o peso caísse ainda mais.

Sturzenegger reconheceu que o mercado "não estava acreditando" no BCRA, o que desde março provocou uma fuga de capitais, com queda nas reservas de 62 a 53 bilhões de dólares e uma desvalorização acumulada de mais de 12% em maio.

Mas o alto funcionário ratificou "a taxa de câmbio flutuante" e a taxa de juros de referência a 40%, a mais alta do mundo. Reafirmou também a meta de inflação anual em 15%, apesar de o custo de vida já acumular quase 10% em quatro meses.

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