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Estado de Minas

Em Bruxelas, chanceler iraniano tenta salvar acordo nuclear


postado em 15/05/2018 09:36

Depois de passar por Pequim e por Moscou, o chanceler iraniano, Mohamad Javad Zarif, buscava, nesta terça-feira (15) em Bruxelas, mais um caminho para salvar o acordo sobre o programa nuclear do Irã, do qual os Estados Unidos decidiram se retirar.

"Estamos no caminho correto para avançar e nos assegurarmos de que os interesses de todos os participantes que permaneçam [no acordo], especialmente o Irã, serão preservados e garantidos", disse Zarif, após uma reunião esta manhã com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

Os europeus buscam evitar que Teerã se retire do acordo e retome seu programa nuclear, ao mesmo tempo em que estudam como evitar que as sanções americanas contra o Irã afetem as empresas do bloco que investem na República Islâmica.

Os presidentes da UE devem adotar uma posição comum esta semana, durante uma cúpula em Sófia.

"Se o Irã respeitar seus compromissos, a UE respeitará os dela. Esta será a mensagem" dos líderes na capital búlgara, indicou um funcionário europeu de alto escalão nesta terça.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, deve apresentar aos presidentes "diferentes opções para proteger os interesses econômicos europeus no comércio com o Irã", acrescentou a mesma fonte.

"O acordo com o Irã funciona. Temos de fazer o máximo possível para preservá-lo", declarou na véspera Maja Kocijancic, porta-voz de Mogherini.

A etapa na capital europeia é a terceira no giro diplomático de Zarif, que já passou pela China e seguiu para a Rússia, onde se reuniu com seu homólogo russo, Serguei Lavrov.

- China, Rússia, UE -

Após anos de várias negociações, Irã e o grupo de potências P5+1 (Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha) firmaram, em julho de 2015, um histórico pacto. Nele, Teerã aceitou congelar seu programa nuclear até 2025 em troca da suspensão das sanções internacionais contra seu país.

Com a saída do pacto do presidente americano, Donald Trump, o objetivo do Irã é obter garantias dos demais signatários para continuar aplicando seus compromissos no acordo. Em caso contrário, Teerã já advertiu que está preparada "para todas as opções".

Para isso, Zarif iniciou uma viagem no domingo, que o levou à China, à Rússia e, agora, a Bruxelas.

Ao fim desse giro diplomático, "veremos como podemos organizar um grupo de trabalho comum para que este receba o apoio da comunidade internacional", explicou o ministro, após se reunir na segunda-feira com seu colega russo, Serguei Lavrov, citado pela agência iraniana ISNA.

Depois de sua reunião com Mogherini, o ministro iraniano deve conversar à tarde com os chanceleres de França, Alemanha e Grã-Bretanha.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o russo, Vladimir Putin, confirmaram o compromisso de ambos os países em aplicar este acordo, durante um telefonema nesta terça.

- EUA pedem 'forte cooperação' -

Nos último dias, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, falou com seus colegas dos países europeus signatários do acordo, para lhes pedir que continuem com sua "forte cooperação" com Washington, indicou o Departamento de Estado na segunda-feira.

Pompeo considerou que os Estados Unidos e seus aliados europeus têm interesses idênticos, como "agir para que o Irã nunca tenha armas nucleares", de acordo com um comunicado.

Ontem, a Marinha americana disse esperar um "período de incerteza" em relação à atitude do Irã no Golfo, depois de Washington denunciar o acordo.

"É claro, devemos continuar vigilantes, mais ainda do que o normal, para estarmos preparados para todo tipo de reação, ou novo acontecimento", comentou o chefe de operações navais americanas, o almirante John Richardson, em conversa com jornalistas na visita ao porta-aviões "USS George H.W. Bush".

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