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Estado de Minas

Economia verde pode gerar milhões de empregos, mas não para agricultores, diz ONU


postado em 14/05/2018 13:48

As políticas em benefício de uma "economia verde" poderiam gerar cerca de 40 milhões de empregos no mundo todo até 2030. Contudo, o rumo em direção a uma agricultura mais respeitosa com o meio-ambiente também eliminará 120 milhões de vagas, afirmou a ONU nesta segunda-feira.

Essas são as conclusões do relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) - uma agência da ONU - que quantifica as perdas e criações de empregos geradas pela travessia para uma economia mais sustentável.

"A transição para uma economia verde é urgente e vai criar empregos", declarou Catherine Saget, principal autora do informe, em coletiva de imprensa.

Mas as consequências dessas mudanças não serão iguais para todos.

No setor primário, uma "agricultura mais respeitosa acarreta na queda do emprego de 120 milhões (de postos de trabalho) no mundo", devido, entre outros coisas, ao abandono do cultivo nos países em desenvolvimento, explicou Saget.

Na Europa, essa agricultura mais respeitosa com o meio-ambiente deveria criar, contudo, 7 milhões de empregos.

Nos demais setores, a OIT considera que 6 milhões de empregos podem ser gerados orientando os países para uma "economia circular", que integre atividades como a reciclagem e o aluguel de bens.

Além disso, "a luta para limitar o aquecimento global a 2ºC", como previsto pelo acordo climático de Paris, criará 24 milhões de empregos, graças ao desenvolvimento de energias renováveis, ao aumento do uso de veículos elétricos e à melhoria de eficiência energética em edifícios existentes e futuros, diz a OIT.

Este acordo, do qual os Estados Unidos se retiraram, procura conter o aumento da temperatura média global abaixo de 2ºC em relação à era pré-industrial.

Mas, se os Estados signatários mantiverem seus compromissos atuais de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, as temperaturas globais poderão subir 3ºC.

A criação de 24 milhões de postos de trabalho graças à luta contra as alterações climáticas permitiria compensar os 6 milhões de postos de trabalho que foram eliminados em outros setores, em especial em atividades que consomem muitos recursos.

Por exemplo, seriam criados cerca de 2,5 milhões de empregos no setor elétrico gerados a partir de fontes de energia renováveis, compensando assim as quase 400 mil vagas perdidas na produção de eletricidade com base em combustíveis fósseis, de acordo com o relatório.

A nível regional, a OIT estima que combater as alterações climáticas implica em criações líquidas de emprego na América (+3 milhões) na Ásia e no Pacífico (+14 milhões) e Europa (+2 milhões), graças às medidas tomadas em termos de produção e consumo de energia.

A OIT, no entanto, antecipa perdas líquidas de postos no Oriente Médio (-300 mil empregos) e na África (-350 mil), "se as tendências atuais continuarem, já que essas regiões dependem, respectivamente, de combustíveis fósseis e de mineração".

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