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Estado de Minas

Iraquianos punem classe política com forte abstenção


postado em 13/05/2018 21:30

Os iraquianos enviaram neste sábado uma mensagem à classe política ao ignorarem em grande medida as urnas e darem, segundo os primeiros resultados parciais, muitos votos para as listas antissistema, nas primeiras eleições legislativas após a vitória sobre o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Segundo os primeiros resultados parciais, duas listas antissistema, uma liderada pelo líder religioso Moqtada al-Sadr e outra pelas Forças de Mobilização Popular, um suplemento do Exército próximo do Irã, ocupavam as primeiras posições.

Ambas adotaram no passado um discurso contra os Estados Unidos, apesar de terem lutado com Washington contra o EI.

A aliança inédita entre o líder religioso xiita Moqtada al-Sadr e os comunistas, que apresentou um programa contra a corrupção, liderava os resultados em seis das 18 províncias e ocupava a segunda posição em outras quatro.

Seus simpatizantes, que se manifestam semanalmente contra a corrupção por todo o país, reuniram-se na noite de hoje no centro de Bagdá para comemorar "a vitória contra os corruptos" e "uma nova etapa para o povo iraquiano", disse à AFP um deles, Zeid al-Zamili, 33.

A Aliança da Conquista, uma lista de ex-combatentes das Forças de Mobilização Popular, cuja ação foi chave na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), liderava em quatro províncias, incluindo a cidade de Basra, e aparecia em segundo em outras oito.

Abadi, que tem o apoio da comunidade internacional, não aparecia em primeiro em nenhuma província, salvo na de Nínive, cuja capital é Mosul.

Em um primeiro momento, várias autoridades políticas afirmaram que o atual premier liderava os resultados, dando a entender que se manteria no cargo.

Segundo a Comissão Eleitoral, a participação nas urnas chegou a 44,52%, o pior percentual desde a instauração de eleições multipartidárias no país em 2005, após a queda da ditadura de Saddam Hussein.

Aqueles que foram votar mostraram sua vontade de "mudança", de ver "novos rostos" em uma classe política vista como corrupta por boa parte da população.

- Abstenção elevada -

Desta vez, independentemente da confissão dos eleitores, a abstenção foi significativa. Nas eleições anteriores, apenas os xiitas costumavam votar em massa para consolidar sua influência, enquanto os sunitas se ausentavam, descontentes por terem perdido o poder e ameaçados por grupos extremistas.

"A forte abstenção se deve a que as políticas realizadas há 15 anos não convencem mais os eleitores", explica o cientista político Amir al-Saadi.

Na maioria do país, e especialmente em Bagdá, onde a participação chegou a apenas 32%, segundo fontes da Comissão Eleitoral, "os iraquianos tinham a sensação de que as eleições estavam decididas de antemão", afirma Karim Bitar, diretor de pesquisa do Instituto francês de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS).

A abstenção foi menor, porém, entre os curdos e em Mosul, a grande cidade do norte que foi o principal bastião do EI no Iraque.

A participação dos curdos, que foram expulsos das zonas em disputa com Bagdá e continuam pagando as consequências negativas de seu referendo de independência, foi algo entre sete e nove pontos superior à nacional.

E, em Mosul, os habitantes da cidade devastada decidiram deixar para trás a etapa do EI, comparecendo em grande número às urnas, sem medo - pela primeira vez desde 2003 - de atentados suicidas, ou de represálias dos extremistas.

Muitos iraquianos dizem não acreditar na eleição proporcional complexa que leva o governo a uma coalizão heterogênea e distribui os principais cargos do Estado entre membros de diferentes comunidades.

Para esses eleitores, em um país onde o sistema político foi projetado para impedir a dominação de um único partido, o governo de Bagdá não age de forma independente e está submetido à vontade dos Estados Unidos e do Irã.

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