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Estado de Minas

Candidato a presidente catalão promete trabalhar 'sem descanso' pela independência


postado em 12/05/2018 15:12

O Parlamento catalão fracassou, neste sábado (12), em sua primeira tentativa de dar posse como presidente ao editor separatista Quim Torra, que se mostrou fiel a seu antecessor exilado Carles Puigdemont e prometeu trabalhar "sem descanso" para construir uma república independente da Espanha.

O duro discurso indignou a oposição e o governo espanhol, mas não serviu para convencer a facção mais radical do separatismo.

O Parlamento rejeitou seu nome por 66 votos a favor, 65 contra e 4 abstenções, não alcançando a maioria absoluta necessária para ser vitorioso em um primeiro turno.

Em um contundente e incomum comunicado, o governo espanhol de Mariano Rajoy o acusou de articular um "discurso frentista", "sectário e divisor, renunciando a governar para o conjunto dos catalães e estimulando as tensões". Também advertiu-o de que responderá diante de "qualquer violação da lei".

Madri controla diretamente a região desde a frustrada declaração de independência de 27 de outubro e desde o afastamento do ex-presidente Puigdemont e de seu gabinete.

Esse editor e advogado de 55 anos foi designado por Puigdemont para assumir "provisoriamente" a presidência, depois que a Justiça e o governo espanhol impediram sua reeleição durante meses por estar morando no exterior e em função de um processo de extradição que pesa contra ele.

"Quero deixar claro que nosso presidente é Carles Puigdemont", pontuou, antes de iniciar seu discurso na Câmara, deixando em aberto um retorno do ex-líder, se sua situação legal permitir.

- 'Construir um Estado independente' -

Enquanto isso não se define, prometeu cumprir a tarefa recebida: retomar o processo lançado com o referendo ilegal de 1º de outubro e a proclamação de uma república, abortado pela intervenção de Rajoy que afastou Puigdemont e dissolveu o Parlamento.

Esses antecedentes não amedrontam Torra, que garantiu ser leal ao mandato de "construir um Estado independente".

Quando o governo for formado e for suspenso o controle de Madri sobre a região, "não teremos mais qualquer desculpa para não trabalhar sem descanso para a República", garantiu.

Como anunciou em seu discurso, seu governo vai recuperar algumas leis catalãs suspensas pela Justiça espanhola, restabelecerá a rede de "embaixadas" para promover a causa separatista, as quais haviam sido fechadas por Madri, e iniciará os trâmites para redigir a futura Constituição catalã.

Ele também convidou o governo espanhol e a União Europeia ao diálogo, pedindo a esta última que seja mediadora nesse conflito.

"Nós estamos dispostos a dialogar amanhã mesmo", disse ele, em espanhol, dirigindo-se a Rajoy.

Suas palavras também acirraram os ânimos na Câmara catalã, reflexo de uma sociedade dividida, quase em partes iguais, entre partidários e críticos da independência.

"É uma oportunidade perdida para iniciar a reconciliação" entre catalães, criticou Inés Arrimadas, líder do partido de centro-direita Cidadãos, o mais votado nas eleições regionais.

"Você representa o nacionalismo identitário excludente", acrescentou ela, lembrando de uma série de antigos tuítes do candidato, com comentários muito ofensivos contra os espanhóis.

- Resultado incerto -

Embora os separatistas controlem a Câmara regional, a posse de Torra não está garantida. Ele terá uma segunda chance na segunda-feira, quando será suficiente uma maioria simples ainda incerta.

Com 66 votos dos dois grandes partidos separatistas e 65 contrários da oposição, ele depende dos quatro deputados do partido separatista mais radical, o anticapitalista CUP, que quer um programa de ruptura rumo à secessão.

Caso se abstenham, Torra será presidente. Se votarem contra, fracassará, e os separatistas terão de buscar uma solução antes de 22 de maio. Se não houver um novo governo até essa data, novas eleições serão necessárias.

A radicalidade de Torra e de Puigdemont, do grupo parlamentar Juntos pela Catalunha, contrasta com a crescente moderação dos dois grandes partidos separatistas, o esquerdista ERC e o conservador PDECAT, partidários de baixar a tensão e evitar mais problemas com a Justiça.

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