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Estado de Minas

Comissão da Verdade quer apoio da CIDH para investigar violência na Nicarágua


postado em 10/05/2018 19:24

A Comissão da Verdade, criada pelo parlamento nicaraguense para esclarecer os atos violentos ocorridos em manifestações antigovernamentais que deixaram 47 mortos, anunciou nesta quinta-feira o início das investigações a disposição de receber o apoio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

"Para o cumprimento de sua missão, a Comissão estabeleceu e desenvolverá contatos com organizações especializadas nos direitos humanos no âmbito nacional, regional e internacional, tal como a CIDH, assim como com as autoridades correspondentes", afirmou a entidade em um comunicado lido por um de seus membros, Mirna Cunnigam, em coletiva de imprensa.

"Nós consideramos que a colaboração da CIDH é valiosa", explicou outro membro da comissão, Adolfo Jarquín, que informou que enviaram cartas à relatora do organismo interamericano assim como o presidente Daniel Ortega sobre sua petição.

Também se contactaram com o relator de direitos humanos das Nações Unidas (ONU), acrescentou.

Os convites devem ser formuladas por o governo, que foi pressionado nos últimos dias por diversos setores e pelos Estados Unidos para que permita a entrada da CIDH.

Segundo Jarquín, o governo não rejeitou a chegada da CIDH, como se disse na semana passada, mas que "pediu um tempo para que avançasse" a organização da Comissão da Verdade e a instalação do diálogo nacional, que ainda não tem data.

A Comissão da Verdade foi instalada no domingo pelo parlamento, dominado pelo governo, para investigar os atos de violência acontecidos nas manifestações antigovernamentais que começaram em 18 de abril e que deixaram 47 mortos e mais de 400 feridos.

A entidade disse nesta quinta-feira que se apressa a investigar "as mortes, os feridos, os presos, as denúncias de desaparecidos, incêndios, atos de vandalismo", assim como "destruições materiais de bens privados" que foram afetados pelos distúrbios.

"A Comissão está pronta para começar a receber imediatamente as denúncias e evidências de todos os setores, sem exceção", disse Cunnigham.

As investigações, que durarão três meses, incluirão análise sobre a origem das manifestações e "para onde irão", acrescentou.

Na terça-feira, um grupo de estudantes, que lideraram os protestos, classificou a Comissão de "ilegítima" e exigiu a formação de uma entidade "pluralista, justa e confiável".

A Comissão da Verdade pediu nesta quinta-feira "a tolerância, o respeito da ordem constitucional, e a confiança de que a justiça prevalecerá, com a participação de todos".

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