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Estado de Minas

As Colinas de Golã, principal ponto de atrito entre Israel e Síria


postado em 10/05/2018 13:54

As Colinas de Golã, onde o Exército israelense foi alvo de um ataque das forças iranianas instaladas na Síria na madrugada de quinta-feira (10), são estratégicas para Tel Aviv e Damasco.

Esse planalto, rico em recursos hídricos, domina a região histórica da Galileia e o Lago Tiberíades, no lado controlado por Israel, e abriga uma estrada para Damasco, no lado sírio.

- Conquistadas em junho de 1967 -

Em 9 de junho de 1967, o Exército israelense conquistou o platô de onde o Exército sírio bombardeava as posições israelenses abaixo. As forças israelenses tomaram uma área adicional de cerca de 510 km2 durante a guerra de outubro de 1973, mas a restituíram em 1974, juntamente com uma pequena parte dos territórios ocupados em 1967.

O acordo de 1974 resultou na criação de uma zona desmilitarizada nas Colinas de Golã. Desde então, a Força de Observação das Nações Unidas (UNDOF) se encarrega de monitorar a implementação desse acordo.

Cerca de 1.200 km2 do planalto, que também se estende às fronteiras do Líbano e da Jordânia, foram anexados por Israel em 1981, uma ação que a comunidade internacional nunca reconheceu.

Durante as guerras de 1967 e 1973, cerca de 150.000 pessoas, a maioria habitantes sírios do Golã, fugiram do local. Hoje restam apenas cerca de 18.000 drusos, que, em sua maioria, recusaram-se a tirar documentos de identidade israelenses.

Desde 1967, quase 20.000 colonos israelenses se estabeleceram na região, onde estão espalhados em 33 assentamentos, principalmente agrícolas.

- Recursos hídricos -

O interesse de Israel e da Síria pelas Colinas de Golã também é consequência das importantes fontes de água na área, incluindo o rio Banias, que alimenta o Jordão. E o Hasbani, que nasce no Líbano, atravessa o platô antes de desembocar no Jordão, assim como o rio Dan.

A questão da água foi, em meados da década de 1960, uma das principais causas da disputa entre Israel e a Síria, que deu origem à guerra de junho de 1967. Damasco então acusou Israel de desviar os afluentes do Jordão.

As negociações que Israel e Síria lançaram na década de 1990 nunca conseguiram superar o obstáculo das Colinas de Golã, cuja restituição total até as margens do Lago Tiberíades é exigida por Damasco.

O jornal israelense "Yediot Aharonot" informou em outubro de 2012 que as novas negociações em 2011 duraram pouco tempo, devido ao início da guerra na Síria.

- Aumento das tensões desde 2011 -

O conflito sírio agravou a situação. Em 15 de maio e em 5 de junho de 2011, aniversários da criação de Israel e da guerra de 1967, o Exército israelense abriu fogo contra refugiados palestinos e sírios tentando atravessar a linha de cessar-fogo. Cerca de 30 pessoas morreram, segundo a ONU.

O Golã foi palco de intensos combates entre os rebeldes e o regime sírio. Tropas de paz da ONU foram alvejadas, assim como 45 cidadãos de Fiji sequestrados pela Frente Al-Nusra, facção síria do grupo jihadista da Al-Qaeda, antes de serem libertados em 2014.

Os disparos de morteiros da Síria se tornaram frequentes no altiplano, embora raramente cause fatalidades. Israel responde a cada um dos tiros sírios, seja deliberado, seja resultado de um erro.

Em janeiro de 2015, em um ataque ao movimento libanês xiita do Hezbollah, Israel matou vários militares iranianos, incluindo um general.

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