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Estado de Minas

Opositor de 92 anos toma posse como primeiro-ministro da Malásia


postado em 10/05/2018 13:18

O veterano opositor malaio Mahathir Mohamad, 92 anos, tomou posse nesta quinta-feira (10) como primeiro-ministro, após a inesperada vitória eleitoral, e se tornou o chefe de governo mais velho do mundo.

Mahathir fez o juramento oficial no Palácio Nacional, diante do rei.

Mahathir Mohamad, que foi primeiro-ministro do país de 1981 a 2003, venceu as legislativas de quarta-feira à frente de uma coalizão de oposição que derrotou o premiê Najib Razak, líder de uma coalizão que estava há 61 anos no poder.

Na cerimônia no Palácio Nacional, com séculos de tradição muçulmana malaia, Mahathir foi empossado pelo rei Sultan Mohamad V, na presença de aliados políticos e funcionários do governo.

"Eu, Mahathir Mohamad, depois de ser eleito primeiro-ministro, prometo fazer o meu trabalho com todas as minhas habilidades, e serei fiel à Malásia e preservarei e defenderei a Constituição", acrescentou.

Após a posse, fogos de artifício brilharam no céu de Kuala Lampur.

Antes, Mahathir e sua mulher, Siti Hasmah Mohamad Ali, entraram no palácio entre centenas de partidários agitando bandeiras e cantando o hino nacional.

Mohamad Azlan Shah, membro do partido de Mahathir, presente entre a multidão, disse estar "muito orgulhoso".

"Nossa batalha para mudar a política da Malásia não foi frustrada. Acredito que Mahathir pode fazer a mudança", disse à AFP.

O ex-médico deu seus primeiros passos na política em 1964 e liderou o país do Sudeste Asiático por 22 anos.

Ele voltou à linha de frente da política para tentar derrubar Najib Razak, antes seu protegido e atualmente mergulhado em um escândalo de desvio de milhões de euros do fundo soberano 1MDB, criado quando chegou ao poder em 2009 para modernizar o país.

Embora alguns enxerguem Mahathir como o pai fundador da Malásia moderna, atribuindo-lhe o mérito de ter desenvolvido o país, relativamente rico, outros acusam-no de ter aprisionado adversários e de incitar as tensões étnicas no país.

Quando ficou claro que a coalizão governista enfrentava uma derrota histórica, Najib desapareceu por horas e reapareceu apenas na manhã de quinta-feira para uma entrevista coletiva, na qual aceitou a decisão do povo.

"Tivemos que esperar muito tempo para que isso acontecesse", declarou à AFP Michael Larson, de 35 anos, eleitor dos arredores de Kuala Lumpur.

Mahathir "voltou para nos ajudar a resgatar o país. Agora vamos ver se ele cumprirá suas promessas", acrescentou.

A coalizão de oposição O Pacto da Esperança optou pelo vínculo entre Mahathir e os malaios para atrair o eleitorado nas eleições legislativas de quarta-feira.

Durante a campanha, ele participou de vários comícios eleitorais no país, criticando Najib por sua má gestão da economia e pelo escândalo do 1MDB.

"O maior erro da minha vida foi ter escolhido Najib" para se tornar primeiro-ministro, disse Mahathir a seus seguidores.

A característica mais marcante do retorno de Mahathir é sua reconciliação com Anwar Ibrahim, que havia sido seu braço direito quando ele era primeiro-ministro, até que o depôs em 1998 por diferenças políticas.

Depois de se juntar à oposição, Anwar foi condenado e preso ao final de um controverso julgamento por sodomia e corrupção.

Na campanha, Mahathir prometeu que, se fosse eleito, daria o posto para Anwar quando fosse libertado.

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