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Estado de Minas

Aumentam suspeitas sobre advogado de Donald Trump


postado em 09/05/2018 19:00

O advogado pessoal de Donald Trump, Michael Cohen, enfrentava crescentes questionamentos nesta quarta-feira (9), após ser revelado que cobrou milhões de dólares de um magnata russo e de empresas que buscavam uma via de acesso privilegiada à Casa Branca.

Entre as empresas que teriam alimentado a conta bancária de Cohen figuram o grupo farmacêutico suíço Novartis, o operador de telecomunicações AT&T;, a montadora sul-coreana de aviões Korea Aerospace Industries e o homem de negócios próximo ao Kremlin Viktor Vekselberg.

Os pagamentos foram dirigidos a uma empresa fantasma fundada pelo advogado.

Nesta quarta-feira, a Casa Branca minimizou o alcance dessas revelações.

"Não ouvi o presidente expressar preocupações a respeito", disse a porta-voz da Presidência Sarah Sanders.

Também disse ignorar se algumas decisões do governo haviam beneficiado empresas que pagaram Cohen por seus serviços.

Cohen, de 51 anos, que está sob investigação penal, ficou em evidência fundamentalmente por ter comprado o silêncio de Stormy Daniels, a estrela pornô que afirma ter mantido um romance com Trump.

Sabe-se que o FBI o tem em sua mira no âmbito das investigações comandadas pelo procurador especial Robert Mueller sobre a ingerência política russa, mas são ignoradas as razões precisas desse interesse.

- Documentos confiscados pelo FBI -

O escritório de advocacia em Nova York foi vasculhado em abril e lá a Polícia confiscou grande quantidade de documentos possivelmente vinculados ao pagamento a Stormy Daniels revelado pelo advogado da atriz, Michael Avenatti.

O dinheiro foi parar na empresa Essential Consultants, criada em outubro de 2016 e graças à qual Cohen pagou 130 mil dólares a Daniels, posteriormente reembolsados por Donald Trump.

Ao menos 4,4 milhões de dólares passaram pelo caixa da Essential Consultants entre os meses anteriores à eleição presidencial de novembro de 2016 e janeiro de 2018.

AT&T; reconheceu na terça-feira que contratou Cohen no início de 2017 para ter informações privilegiadas sobre o funcionamento da Casa Branca.

A empresa quer comprar o grupo midiático Time Warner, uma operação que o governo americano se opõe.

Segundo Avenatti, Cohen também recebeu 500 mil dólares da sociedade de investimentos Columbus Nova, braço americano do grupo russo Renova, dirigido por Viktor Vekselberg, um dos magnatas próximos ao presidente Vladimir Putin sancionados em abril por Washington em resposta ao envenenamento de um ex-espião russo em Londres.

- Vende-se acesso ao presidente -

Vekselberg esteve presente na cerimônia de posse de Trump, cuja equipe de campanha é suspeita de conluio com Moscou para incidir nas presidenciais.

A Novartis Investments admitiu ter efetuado quatro pagamentos de 99.980 dólares para a Essential Consultants em função de um contrato assinado em fevereiro de 2017.

"Após a mudança de governo, a Novartis considerou que Michael Cohen poderia aconselhar a empresa sobre como o governo Trump abordaria alguns aspectos da política de saúde", explicou o grupo farmacêutico.

Assinalou, no entanto, que logo se deu conta que Cohen não poderia cumprir com essa expectativa.

Avenatti acusa o advogado pessoal de Trump de ter cobrado dinheiro de forma indevida em troca de compensações.

"Michael Cohen não deveria comercializar o acesso ao presidente dos Estados Unidos", disse à CNN.

"Este parece ser o cenário típico do ato de suborno, no qual você tem uma pessoa próxima a um político, neste caso, o presidente dos Estados Unidos, o que é muito raro, que vende um potencial contato", disse Avenatti.

Apelidado de "pitbull" da Torre Trump, Cohen está no centro de uma polêmica de suposta infidelidade conjugal, pagamentos indevidos e lobby político aparentemente beirando a corrupção.

Alguns preveem que o advogado pode até "se virar" e colaborar com a investigação russa em troca de uma atitude indulgente do procurador.

No sábado à noite, o programa satírico "Saturday Night Live" mostrou um encurralado Michael Cohen, interpretado pelo ator Ben Stiller, ligando para Trump por uma linha telefônica grampeada pelo FBI.

"Como está na prisão?", pergunta o falso presidente, interpretado por Alec Baldwin. "Não estou na prisão", responde o advogado. "Ah, é uma questão de duas semanas", retruca "Trump".

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