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Estado de Minas

Macron faz advertência contra qualquer desejo autoritário na UE


postado em 17/04/2018 07:16

A União Europeia (UE) deve "defender com firmeza" sua democracia diante da tentação "autoritária" em alguns países, afirmou nesta terça-feira o presidente francês, Emmanuel Macron, em seu primeiro discurso na Eurocâmara desde sua eleição, que foi vista como um fortalecimento do bloco.

"Quero pertencer a uma geração que decidiu defender com firmeza sua democracia (...) Não cederei diante de qualquer fascínio pelos regimes autoritários", afirmou diante dos eurodeputados reunidos em Estrasburgo (nordeste da França).

"Não quero pertencer a uma geração de sonâmbulos, a uma geração que esqueceu o próprio passado", completou o francês, no momento em que o projeto europeu, nascido dos escombros da Segunda Guerra Mundial, se prepara para a saída em 2019 de um de seus membros, o Reino Unido.

Macron reforça assim sua visão de europeísmo, depois que os partidos eurocéticos venceram recentemente as eleições na Hungria e na Itália e quando a UE mantém uma disputa com o governo nacionalista conservador da Polônia pela situação do Estado de direito.

Macron fez uma advertência contra uma "espécie de guerra civil europeia" e afirmou que "o fascínio iliberal cresce cada vez mais".

Apesar de sua vitória em maio 2017 contra a candidata de extrema-direita Marine Le Pen ter sido considerada um estímulo ao europeísmo, as propostas de Macron para reformar o bloco não receberam o apoio necessário dos sócios europeus, especialmente da influente Alemanha.

O partido conservador da chanceler alemã Angela Merkel se distanciou do discurso de reforma da Eurozona de Macron, com planos como um orçamento próprio, que Berlim considerou uma ideia ruim.

Seus planos, no entanto, têm o apoio do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que durante o debate parlamentar disse que "a verdadeira França está de volta", e da maior parte dos eurodeputados, que aplaudiram Macron em vários momentos.

O presidente francês aproveitou a oportunidade para propor a criação de um programa comunitário para financiar as instituições locais que recebem os refugiados, um dos temas delicados para o bloco.

Para Macron é necessário "desbloquear o envenenado debate sobre as regras Dublin e as transferências, mas também ir mais além neste debate, construindo a solidariedade interna e externa que a Europa necessita".

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