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Estado de Minas

May e Macron respondem a seus parlamentos por ataque na Síria

A oposição britânica acusa May de seguir cegamente as ordens do presidente americano Donald Trump. Na França, a Assembleia Nacional começou a debater a participação do país na operação do final de semana


postado em 16/04/2018 14:18 / atualizado em 16/04/2018 14:39

(foto: ETIENNE LAURENT, CHRIS J RATCLIFFE/AFP )
(foto: ETIENNE LAURENT, CHRIS J RATCLIFFE/AFP )

A primeira-ministra britânica Theresa May e o presidente francês enfrentaram nesta segunda-feira as críticas da oposição de seus respectivos parlamentos por causa da operação militar contra a Síria, que não foi alvo de unanimidade.


May compareceu ante os deputados para explicar sua posição, em um país ainda marcado pela desastrosa invasão do Iraque em 2003 e sua posterior ocupação, que acabou na morte de 179 soldados britânicos e manchou o legado do então premiê, o trabalhista Tony Blair.


"Não recebemos ordens dos Estados Unidos. Permitam-me ser absolutamente clara: agimos porque era de interesse nacional", afirmou.


"Porque não podemos permitir que se normalize o uso de armas químicas, nem na Síria, nem nas ruas do Reino Unido", acrescentou, aludindo ao atentado contra um ex-epião russo em solo inglês.


"A velocidade com que atuamos era essencial para o sucesso da operação", disse ainda, explicando por que não consultoiu o Parlamento.


Segundo a primeira-ministra, os ataques pretendera enviar uma "mensagem clara" contra o uso de armas químicas, semanas depois que foram usadas em contra o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha Yulia, em um atentado que Londres atribui à Rússia, o principal aliado de Assad.


A oposição britânica acusa May de seguir cegamente as ordens do presidente americano Donald Trump.


"Theresa May deveria ter buscado a aprovação parlamentar invés de seguir Donald Trump", afirmou o líder da oposição, o trabalhalista Jeremy Corbyn.


"O Reino Unido tem de ter um papel de líder para conseguir um cessar-fogo, não obedecer as instruções de Washington", acrescentou.


Ainda não se sabe se a sessão concluirá com uma votação, que seria pura e simplesmente simbólica.


Macron e sua primeira operação militar


Na França, a Assembleia Nacional começou a debater a participação do país na operação do final de semana.


Os ataques de sexta para sábado na Síria foram a primeira operação militar de envergadura ordenada pelo presidente Emmanuel Macron, que assumiu há menos de um ano.


Em 2017, disse que o uso de armas químicas seria para ele uma "linha vermelha" que levaria a "uma resposta imediata".


Falando à imprensa em Paris, Macron disse que os ataques têm "legitimidade internacional", apesar de não estarem amparados por uma resolução da ONU.


Apesar disso, Macron foi criticado pela esquerda e pela direita.


A líder da Frente Nacional, direita radical, Marine Le Pen, o acusou de não ter demonstrado qualquer prova do uso de armas químicas na Síria, crítica à qual se uniu Jean-Luc Melenchon, que encabeça o partido de extrema-esquerda França Insubmissa, e o líder centrista Laurent Wauquiez.


"O presidente da República sabe muito bem que violou o direito internacional, e tenta inventar uma narrativa de legitimidade internacional", acusou Marine Le Pen.

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