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Estado de Minas

Equador e Colômbia buscam corpos de jornalistas enquanto caçam assassinos


postado em 14/04/2018 15:48

Consternado pelo assassinato de dois jornalistas e um motorista do jornal "El Comercio" pelas mãos de dissidentes da ex-guerrilha colombiana das Farc envolvidos no tráfico de drogas, o Equador busca recuperar os corpos enquanto descarrega sua ira contra os assassinos.

Em seu editorial deste sábado, o jornal pede aos governos de Equador e Colômbia "todas as explicações" do ocorrido desde que os três equatorianos foram sequestrados em 26 de março no povoado costeiro de Mataje, na conturbada fronteira colombiana, onde faziam uma reportagem sobre violência.

"Com verdade e detalhe, pelo direito que tem a opinião pública, as famílias de nossos companheiros e a sociedade", assinala o veículo, um dos mais influentes do país.

Nem Quito nem Bogotá puderam determinar onde morreram e onde estão seus corpos, e os dois governos também têm versões opostas sobre o lugar onde ocorreram os feitos.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) confirmou que Equador, Colômbia e as famílias das vítimas pediram sua colaboração para recuperar os corpos do jornalista Javier Ortega (32 anos), do fotógrafo Paúl Rivas (45) e do motorista Efraín Segarra (60).

O organismo acrescentou que também o "grupo liderado por Guacho", responsável pelo crime, solicitou a sua colaboração na entrega.

Essas operações humanitárias costumam ser feitas com muita reserva e poucos detalhes são revelados. O chefe do CICV na Colômbia, Christoph Harnisch, se antecipou em pedir a compreensão sobre a "natureza confidencial de grande parte da informação".

Visivelmente triste e indignado, o presidente equatoriano, Lenín Moreno, confirmou a morte dos jornalistas na sexta-feira, após o surgimento de fotos que provavam sua execução.

"Prestamos todo o apoio e colaboração desde o primeiro momento, e continuaremos prestando até que capturem os responsáveis e se faça justiça", assinalou o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, na Cúpula das Américas, em Lima, que termina neste sábado.

Em meio às ações coordenadas, as Forças Armadas equatorianas indicaram que na zona de Mataje prenderam nove suspeitos e apreenderam armas e munições.

"Do lado colombiano (...) lançamos operações de Tumaco e Cali, e assim manteremos essa mobilização de forma coordenada com o Equador por meio de helicópteros, aviões e equipe do Exército, que permitam não apenas o controle da fronteira, mas encontrar os responsáveis", manifestou o ministro colombiano da Defesa, Luis Carlos Villegas.

Villegas e chefes da força pública da Colômbia se reuniram na sexta-feira com Moreno em Quito para planejar uma estratégia comum na fronteira.

A última vez que eles foram vistos com vida foi em um vídeo divulgado em 3 de abril, no qual apareciam com correntes no pescoço e clamando por um acordo com os sequestrados.

Seu caso, condenado pela comunidade internacional, atinge um país que jamais havia sofrido com tanta crueldade os problemas derivados do tráfico de drogas na Colômbia.

A informação, que chegou aos poucos, os boatos e os dados falsos deram mais dramatismo à situação.

Até meia-noite de sexta-feira, cerca de 100 pessoas, muitas delas com velas nas mãos, se concentraram em silêncio na frente da casa de governo, no centro de Quito, em uma vigília em homenagem aos mortos.

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