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Estado de Minas

Destituição de secretária permanente gera crise na Academia Sueca


postado em 12/04/2018 21:06

A Academia Sueca, que concede o Prêmio Nobel de Literatura, está em crise: sua secretária permanente se demitiu nesta quinta-feira (12) vítima de divisões internas, após as acusações de assédio sexual contra o marido de uma acadêmica que deixou o cargo.

Em novembro, o jornal Dagens Nyheter publicou os depoimentos de 18 mulheres que asseguravam ter sido vítimas de violência ou assédio sexual por parte de um francês casado com uma acadêmica - a poetisa e dramaturga Katarina Frostenson -, que nesta quinta-feira anunciou sua saída da famosa instituição.

A Academia rompeu relações com o francês, que nega as acusações, e terminou com as subvenções ao local de exposições que dirige em Estocolmo, frequentado pelas elites culturais.

Também iniciou uma investigação interna e contratou um escritório de advocacia. As conclusões ainda não foram reveladas. Os acadêmicos estão sujeitos a um estrito dever de reserva.

Este caso dividiu profundamente o santuário da literatura e poesia do país escandinavo, cujas decisões estão envolvidas em um grande sigilo.

Depois da demissão de três membros na semana passada, foi a secretária permanente que saiu. "A Academia quer que eu deixe meu cargo de secretária permanente", anunciou Sara Danius ao fim de uma reunião da instituição.

"Decidi também deixar minha cadeira, a de número 7. Essa decisão é efetiva imediatamente", acrescentou. "Teria continuado com muito gosto, mas há outras coisas a serem feitas na vida", declarou Sara Danius à imprensa.

- Nobel é afetado -

O diretor-geral da Fundação Nobel, Lars Heikensten, expressou sua preocupação em público diante de uma "situação grave e difícil".

A própria Sara Danius reconheceu que essa crise "afetou o Prêmio Nobel de forma bem mais séria. É um problema grave".

Para Lisa Irenius, chefe da seção cultural do jornal Svenska Dagbladet, com as tensões atuais "é difícil ter muita esperança na Academia".

Peter Englund, um dos acadêmicos que saiu, considera que Sara Danius, que o sucedeu no cargo em 2015, é alvo de críticas internas "injustificadas".

Segundo outro acadêmico, Horace Engdahl, a Academia constatou que havia "um problema de liderança". "Faltava algo radical para criar as condições de uma nova saída", disse à televisão pública SVT.

Sara Danius, professora de Literatura na Universidade de Estocolmo, foi a primeira mulher a ocupar esse cargo.

- Membros permanentes -

Os acadêmicos são membros permanentes e, em princípio, não podem ser demitidos. No entanto, podem deixar seus cargos vagos.

Sete dos 18 acadêmicos não são membros ativos, já que outros dois estavam como excedência há vários anos.

Não é a primeira vez que a instituição enfrenta uma onda de demissões.

Em 1989, três acadêmicos decidiram abandonar seus assentos diante do rechaço da instituição em condenar a fátua contra o escritor Salman Rushdie após a publicação de seus "Versos satânicos". Acabou denunciando-a 27 anos depois.

No âmbito judicial, a Procuradoria de Estocolmo anunciou em meados de março que uma parte da investigação aberta contra o homem que está no centro do escândalo foi descumprida devido à prescrição ou à ausência de provas. Tratam-se de supostas violações e agressões cometidas entre 2013 e 2015.

Não foram divulgados os casos que ainda não foram arquivados.

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