O suposto bombardeio com gás tóxico atribuído ao governo sírio, o qual teria deixado dezenas de mortos em Duma, provocou neste domingo (8) uma onda de críticas internacionais.
O governo de Bashar al-Assad e seu aliado russo negaram um ataque com armas químicas sábado (7) em Duma, último bastião rebelde de Ghuta Oriental, região ao leste de Damasco.
"O presidente Putin, a Rússia e o Irã são responsáveis por apoiarem o Animal Assad. Pagarão caro", tuitou Trump.
"Muitos mortos, incluindo crianças e mulheres em um insensato ataque QUÍMICO na Síria. Área de atrocidade está bloqueada e cercada pelo Exército sírio, tornando-a completamente inacessível para o mundo externo", completou o presidente.
Os capacetes brancos - os socorristas que operam nas zonas rebeldes na Síria -, um grupo rebelde e a oposição no exílio também acusaram o governo de ter atacado Duma com armas químicas ontem.
Em um comunicado conjunto, os capacetes Brancos e a ONG Syrian American Medical Society afirmam que 48 pessoas morreram neste ataque com "gás tóxico". Também falaram em "mais de 500 casos, em sua maioria de mulheres e crianças" que apresentam "sintomas de uma exposição a um agente químico".
Por iniciativa da França, nove países solicitaram uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, para esta segunda-feira, anunciaram fontes diplomáticas neste domingo.
O pedido foi assinado por Costa do Marfim, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Holanda, Kuwait, Peru, Polônia e Suécia, acrescentaram as fontes.
Cabe à presidência do Conselho, assumida em abril pelo Peru, confirmar formalmente a realização da reunião.
- 'Instrumentos de extermínio' -
Um vídeo divulgado pelos capacetes brancos no Twitter, que teria sido gravado depois do suposto ataque químico, mostra corpos inertes, com espuma branca saindo da boca.
Firas al-Dumi, um socorrista em Duma, falou de "cenas espantosas".
"Havia muitas pessoas sufocadas, algumas morreram imediatamente", relatou à AFP.
"Era um massacre. Havia um odor muito forte que provocou dificuldades respiratórias nos socorristas", acrescentou.
O governo classificou essas acusações de "farsa" e de "fabricações". Moscou negou, categoricamente.
Outro aliado de Damasco, Teerã considerou que essas acusações são um novo "complô" contra o governo.
O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), que obtém suas informações utilizando uma rede de informantes em toda a Síria, não pôde confirmar estas denúncias.
"Não existe uma guerra boa e uma guerra má, e nada - nada! - pode justificar o uso de tais instrumentos de extermínio contra pessoas e populações desarmadas", disse o papa Francisco na praça São Pedro, em Roma.
Londres afirmou, por sua vez, que "se ficar confirmado que o regime usou outra vez armas químicas, será um novo exemplo da brutalidade de Assad".
As autoridades turcas, que apoiam alguns grupos rebeldes ativos na Síria, disseram suspeitar que o governo esteja por trás desse ataque, de quem "se conhece os antecedentes sobre o uso de armas químicas".
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse estar "particularmente alarmado" com o suposto uso de gás.
A União Europeia (UE) afirmou, através do Serviço Europeu de Ação Exterior, que há "indícios" de que o regime sírio realizou um ataque químico em Duma, e instou a Rússia e o Irã a evitarem outro ataque.
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