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Estado de Minas

Hungria vota em eleições legislativas com Orban como grande favorito


postado em 08/04/2018 17:00

Os húngaros votaram, neste domingo, em eleições legislativas nas que o primeiro-ministro, Viktor Orban, ícone das direitas populistas europeias, parte como grande favorito para obter um terceiro mandato consecutivo e consolidar um poder qualificado de autoritário.

"O futuro do país está em jogo. Não nos contentamos em eleger os partidos, o governo e o primeiro-ministro, elegemos o futuro do país", disse Orban, de 54 anos, após ter votado no início da manhã no distrito 22 de Budapeste.

Cerca de 7,9 milhões de húngaros foram convocados às urnas, que abriram às 06H00 (01H00 em Brasília) e fecharam às 19H00 (14H00 em Brasília). Devido à falta de pesquisas de boca de urna, espera-se as primeiras projeções para a noite.

Segundo as pesquisas, o partido nacionalista conservador Fidesz de Orban teria uma vantagem de entre 20 e 30 pontos. Além disso, deveria ser favorecido pelo sistema eleitoral, que combina maioria simples por circunscrição e proporcional, indicam os especialistas.

A principal incógnita gira em torno da taxa de participação e da magnitude da vitória: Orban, que concentrou sua campanha na "ameaça" migratória, ganhou em 2010 e 2014 com uma maioria de dois terços no Parlamento, mas esta vez poderia ter de se contentar com uma maioria relativa.

"A lógica diz que o Fidesz ganhará, mas existe potencialmente uma surpresa", disse à AFP o cientista político Gabor Torok.

A esquerda e a formação de ultradireita Jobbik, que moderou seu discurso, esperam se beneficiar do cansaço de uma parte dos eleitores ante os discursos de ódio do dirigente contra o bilionário americano de origem húngara Georges Soros e a "ameaça" migratória, obsessões de sua campanha.

A oposição fez campanha denunciando o clientelismo, a decadência dos serviços públicos e um poder aquisitivo insuficiente que levou um grande número de húngaros a emigrar.

Em fevereiro, um candidato opositor ganhou, para surpresa de todos, as municipais em um bastião do Fidesz, Hodmezovasarhely, o que provocou um terremoto no partido.

Ao contrário do ocorrido em Hodmezovasarhely, esta vez não foi feita nenhuma aliança para as legislativas entre uma esquerda fragmentada e o Jobbik, o que faz com que o Fidesz conserve todas suas possibilidades de vitória, segundo os analistas.

Admirado pelas direitas populistas europeias e criticado pelos que o acusam de deriva autoritária, o primeiro-ministro húngaro, quer tornar "irreversíveis" as transformações que impulsou desde seu retorno ao poder, em 2010, após um primeiro mandato de 1998 a 2002.

Admirador do presidente russo Vladimir Putin e defensor da "democracia iliberal" - como foi chamada nos últimos anos esta mistura de culto ao homem, exaltação nacionalista e limitação de certas liberdades em nome do interesse nacional -, Orban exerce há oito anos um estilo de governo com controle crescente sobre a economia, os meios de comunicação e a justiça.

Estas reformas prejudicam o Estado de direito e implicaram em um retrocesso dos valores democráticos, criticam a oposição e um grande número de observadores internacionais.

Orban também multiplicou os atritos com a União Europeia, em particular sobre a questão da imigração. A UE abriu procedimentos de infração contra o governo de Budapeste devido às leis que reforçam o controle do poder sobre as organizações da sociedade civil.

Mas o Partido Popular Europeu (PPE), ao que pertencem também a CDU da chanceler alemã, Angela Merkel, e o PP do espanhol Mariano Rajoy, nunca retirou seu apoio a Orban.

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