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Estado de Minas

Óvulos humanos cultivados até a maturidade em laboratório


postado em 09/02/2018 09:54

Cientistas britânicos e americanos cultivaram óvulos humanos em laboratório até a plena maturidade, ou seja, prontos para serem fecundados, algo inédito e que oferece um potencial para preservar a fertilidade feminina, segundo trabalhos publicados nesta sexta-feira (9).

É a primeira vez que óvulos humanos são desenvolvidos in vitro em um laboratório, desde seu estágio mais precoce até sua plena maturidade, ressaltou em um comunicado a universidade de Edimburgo (Reino Unido) que conduziu, com pesquisadores de Nova York, estudo publicado na revista Molecular Human Reproduction.

Este avanço, um passo prévio a qualquer tentativa subsequente de fertilização, poderia ter aplicações para preservar a fertilidade das meninas com câncer.

O interesse, para aquelas que receberão um tratamento como a quimioterapia, seria evitar a reimplantação do tecido ovariano previamente removido e, portanto, o risco de reintrodução do câncer.

Em vez disso, os oócitos imaturos recuperados a partir de um pedaço de ovário das pacientes poderiam ser levados à maturidade em laboratório. Eles seriam armazenados para serem fertilizados mais tarde.

Para o estudo, os pesquisadores desenvolveram substâncias adequadas (meios de cultura em linguagem técnica) em que os oócitos foram cultivados para suportar cada etapa do seu desenvolvimento.

Os cientistas já haviam conseguido maturar no laboratório óculos de ratos para produzir descendentes vivos. Outros fizeram amadurecer óvulos humanos a um estágio de desenvolvimento relativamente tardio.

"Ser capaz de desenvolver plenamente óvulos humanos em laboratório pode ampliar o alcance dos tratamentos de fertilidade disponíveis e agora estamos trabalhando para otimizar as condições para o seu desenvolvimento. Esperamos saber, sujeito à aprovação regulamentar, se eles podem ser fecundados", comentou a professora Evelyn Telfer, da universidade de Edimburgo, que liderou esta pesquisa.

O professor Azim Surani, da universidade de Cambridge, estima, por sua vez, ao Science Media Center que "os resultados relatados no estudo são interessantes". Mas, ele acrescenta: "ainda há muito trabalho a fazer antes de concluir que eles têm o potencial de ser usados em clínicas".

Este biólogo também observa que "esses oócitos são menores do que o normal". Ele acredita que seria interessante testar seu desenvolvimento através da fertilização in vitro (FIV).

Robin Lovell-Badge, do Instituto Francis Crick, observa que o procedimento ainda é "realmente muito ineficiente", com, segundo ele, apenas nove células atingindo o estágio de óvulos maduros, de um grande número não especificado.

Para a Dr. Channa Jayasena, do Imperial College de Londres, este é "um trabalho elegante, demonstrando pela primeira vez que os óvulos humanos podem ser cultivados até a maturidade em um laboratório".

Ele vê isso como "um avanço importante que poderia oferecer esperança a mulheres inférteis", mas "levará vários anos para traduzir isso em terapia", adverte.

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