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Estado de Minas

As últimas horas da perseguição de Salah Abdeslam


postado em 05/02/2018 11:12

A porta do apartamento finalmente cede aos golpes da polícia. Está parcialmente vazio. Os agentes observam uma arma. Um homem aparece e atira.

Era 15 de março de 2016. Em Forest, bairro de Bruxelas, oito investigadores são surpreendidos durante uma operação de rotina por tiros inesperados. Sem saber, acabam de descobrir o esconderijo de Salah Abdeslam, o homem mais procurado da Europa.

A equipe de agentes franceses e belgas investiga os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris (130 mortos) e procura antigos refúgios. Com os medidores parados há dois meses, eles pensavam que o apartamento de Forest estava vazio.

Quando chegaram no início da tarde ao edifício modesto de dois andares, uma família que ocupa o térreo alerta que uma "pessoa mais velha vive no segundo andar e vários jovens no primeiro".

Os agentes batem na porta, não recebem resposta e forçam a entrada.

Um homem abre fogo com um fuzil kalashnikov. Os policiais respondem e o atingem, o que o obriga a seguir para outro quarto.

Três agentes ficaram feridos no tiroteio, dois belgas e uma francesa.

Os investigadores decidem abandonar o local. Uma parte segue para a entrada e a outra para o telhado.

O espanto domina a área, tranquila e isolada. Os policiais determinam que os moradores abandonem uma praça.

Um habitante se aproxima e afirma que viu dois homens em fuga pelo telhado durante o tiroteio. "Um era barbudo e tinha uma arma", disse.

Mas a prioridade era o homem entrincheirado. Unidades especiais chegam ao local e tentam forçar a sua saída, mas ele volta a atirar contra os policiais.

Às 18H15, policiais observam um vulto em uma janela. Um atirador de elite mata o homem, identificado pouco depois como Mohamed Belkaid, 35 anos, que estava relacionado com os autores dos ataques de 13 de novembro em Paris.

As forças de segurança encontram 11 carregadores de kalashnikov e dois detonadores no apartamento de Forest. Mas, sobretudo, impressões digitais, incluindo as de Salah Abdeslam, o único sobrevivente das "células de Paris", foragido há quatro meses.

Os investigadores concluem que ele era uma das pessoas que fugiram pelo telhado.

- Pizzas e refrescos -

Mas ele estava em Bruxelas e cometeu um erro: uma ligação no mesmo dia para um primo, Abid Aberkane. Precisava de um esconderijo e para seu cúmplice.

"Disse apenas que havia escapado a pé de Forest. Isso é tudo", afirmou mais tarde à polícia este parente, que aceitou esconder os dois homens.

Primeiro em seu veículo e depois no porão da casa de sua mãe, um pequeno imóvel do bairro de Molenbeek, perto da residência dos pais de Abdeslam.

Durante dois dias, os fugitivos permaneceram no porão e dormiram em um tapete velho. O primo levava sanduíches, pizzas e refrigerantes.

O primo compareceu inclusive em 17 de março ao enterro em Bruxelas de Brahim Abdeslam, irmão de Salah e um dos autores dos ataques de 13 de novembro.

Em 18 de março, três dias depois do tiroteio, a polícia belga localiza o novo esconderijo. As forças especiais isolam o bairro e cercam a casa: "Saiam com as mãos para o alto".

Um homem aparece de repente e tenta fugir, mas cai na calçada após os tiros dos policiais. Está ferido. É Salah Abdeslam, o homem mais procurado na Europa na época.

O segundo fugitivo, ferido na perna, continuou no edifício. Após sua detenção foi identificado como Sofiane Ayari, um tunisiano nascido em 1993.

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