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Estado de Minas

Costa-riquenhos votam em eleição marcada pelo discurso religioso


postado em 04/02/2018 12:06

Os 3,3 milhões de eleitores costa-riquenhos começaram a votar neste domingo (4) para escolher o presidente que governará o país pelos próximos quatro anos, além de escolher os 57 deputados da Assembleia Legislativa.

A campanha eleitoral foi marcada pela influência religiosa após um áspero debate sobre o casamento homossexual.

As pesquisas de opinião mostram níveis de indefinição nunca antes vistos na reta final de uma eleição na Costa Rica. Uma pesquisa do Centro de Investigação e Estudos Políticos (CIEP), divulgada em 31 de janeiro, mostrou que 36,5% dos eleitores não sabem em qual dos 13 candidatos votar, mais que o dobro dos 17% de apoio para Fabricio Alvarado, que lidera a disputa, um deputado e pastor evangélico de 43 anos, candidato à presidência pelo partido Restauração Nacional.

A ele seguem o ex-deputado e advogado Antonio Alvarez, de 59 anos, do tradicional Partido Liberação Nacional (PLN), com 12,4%, e o ex-ministro e jornalista Carlos Alvarado, de 38 anos, do governista Partido Ação Cidadã (PAC), com 10,6%. Se ninguém alcançar pelo menos 40% dos votos, haverá segundo turno no dia 1o. de abril.

Fabricio Alvarado, que em dezembro estava com 3% das intenções, disparou nas pesquisas por sua postura contrária ao casamento gay após uma declaração realizada em 9 de janeiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH) a favor da união homossexual.

- Religião, corrupção e crime -

O cientista político Felipe Alpínazar, diretor do CIEP, explicou à AFP que o apoio ao deputado evangélico se explica pela tendência conservadora da sociedade costa-riquenha, que na proporção de dois para um se posiciona contra temas como o casamento homossexual, uso recreativo de maconha e o Estado laico.

Antes da declaração da CorteIDH, a campanha era dominada pela rejeição à corrupção, provocada por um escândalo de importação de cimento chinês, que revelou uma rede de tráfico de influências atingindo os três poderes do Estado.

A insegurança também motiva a intenção de voto dos costa-riquenhos diante de um drástico aumento no número de homicídios, que em 2017 alcançou 12,1 por casa 100.000 habitantes, o mais alto da história do país.

Para o analista político independente Jorge Vega, "a indecisão nesta fase da campanha mostra uma maturidade maior do eleitorado, que prefere esperar para ver os debates antes de se decidirem", comentou Vega à AFP.

Vega destacou que a eleição tem sido volátil, com eleitores que em um momento apoiam um candidato e depois se inclinam para outro, o que torna impossível prever como votarão os costa-riquenhos neste domingo.

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