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Estado de Minas

Trump ou Tillerson: quem fala em nome dos Estados Unidos?


postado em 03/02/2018 18:24

O presidente Donald Trump e o secretário de Estado Rex Tillerson abordaram nesta sexta-feira, em discursos separados, temas como o tráfico de drogas e os imigrantes na fronteira com o México. Mas a diferença no tom de cada um faz com que muitos se perguntem qual deles estaria falando em nome dos Estados Unidos.

Durante uma reunião com guardas fronteiriços na Virgínia, Trump pediu um endurecimento das medidas para controlar "os que entram a partir de El Salvador, Guatemala, Honduras, México e todas as partes".

Já Tillerson, falando no México, primeira etapa de seu giro pela América Latina, conversava sobre os esforços compartilhados para enfrentar o crime organizado nos dois lados da fronteira.

No Centro Nacional da Guarda Fronteiriça, Trump ouviu sobre a cooperação com os países latinos para combater o tráfico de drogas e a passagem de imigrantes clandestinos. Sua resposta foi corrosiva: "O que fazem México, Colômbia e os demais países? Nada. De verdade, acham que tentam? Inundam nosso país de drogas e riem de nós."

De forma explícita, vinculou os grupos do narcotráfico nos Estados Unidos aos imigrantes que entram pela fronteira com o México, e afirmou que este é o motivo pelo qual busca reformar a lei migratória.

- Não ajudam -

Enquanto Trump falava, Tillerson mantinha uma reunião trilateral com seus pares do México, Luis Videgaray, e Canadá, Christia Freeland, em que discutiram o tema comercial e de segurança na fronteira, bem como as preocupações com as leis migratórias.

Tillerson destacou a necessidade de se combater os "grupos transnacionais do crime organizado" e reconheceu que os Estados Unidos têm responsabilidade por serem um mercado para as drogas e pelo tráfico de armas que chegam aos cartéis na América Latina.

Diferentemente de Trump, elogiou o México. "Existe um esforço conjunto, ativo e vigoroso que iremos manter até que tenhamos resolvido o problema", afirmou.

As declarações contraditórias de ambos sugerem que a diferença de tom em seus discursos não se reduz a um simples jogo do policial bom e do policial mau.

Um dos funcionários americanos que acompanham Tillerson na viagem comentou no avião que o trouxe à Argentina que as declarações do presidente "não ajudam".

Embora não critiquem diretamente o presidente, os assistentes do Departamento de Estado assinalaram que o discurso positivo de Tillerson reflete a política externa dos Estados Unidos.

Ao citar as palavras de Trump, o subsecretário Steve Goldstein disse que "pessoas diferentes falam de forma diferente, mas a política não mudou".

"Deixamos o México com a sensação de que conseguimos muito. Temos que fazer mais, mas todos temos o mesmo objetivo", assinalou.

Apesar de a reforma migratória não competir a ele, Tillerson, durante a visita ao México, reconheceu "o valor" dos migrantes e disse que é doloroso para eles viver na incerteza.

- Mensagens contraditórias -

Os diplomatas estrangeiros em Washington costumam lamentar as mensagens contraditórias da Casa Branca, da missão dos Estados Unidos na ONU e do Departamento de Estado.

Colunistas sugerem que os Estados Unidos têm duas políticas: a dos "Estado Unidos em primeiro" de Trump, e a da busca por alianças de Tillerson e do secretário de Defesa, Jim Mattis.

Os líderes mundiais, que temem ser atingidos pelo efeito perturbador dos tuítes impulsivos de Trump, tomam o cuidado de não expressar publicamente sua preferência por uma ou pela outra.

Mas durante uma entrevista coletiva no México, Videgaray e Christia não pouparam elogios a Tillerson por sua voz e seus esforços para manter vínculos estreitos com seus países.

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