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Estado de Minas

Referendo definirá futuro de Rafael Correa no Equador


postado em 03/02/2018 13:42

Um dos líderes da esquerda latino-americana, o ex-presidente Rafael Correa, se coloca seu futuro em jogo no referendo deste domingo contra a reeleição no Equador.

A inesperada disputa com o atual presidente Lenín Moreno tem diminuído a popularidade e a influência do ex-chefe de Estado socialista, que governou o país entre 2007 e 2017.

Com o referendo que seu sucessor e ex-aliado leva adiante, Correa pode perder achance de recuperar o poder.

Mas esta nova briga eleitoral também coloca à prova a legitimidade de Moreno e a solidez de suas novas alianças na Assembleia Nacional após a fissura no governo.

E, em longo prazo, a governabilidade do país, advertem analistas.

Os 13 milhões de equatorianos chamados às urnas deverão responder a sete perguntas: cinco via referendo, que implicam mudanças na Constituição, e duas via consulta popular, para derrogar ou reformar leis menores.

As pesquisas mostram uma clara vitória do "sim", a favor de Moreno.

- Três preguntas anti-Correa -

Três das perguntas formuladas por Moreno, vice-presidente de Correa entre 2007 e 2013, são um claro convite a entrar na era do pós-correísmo.

O questionamento que planeja suprimir a reeleição indefinida aprovada por Correa em 2015 impediria a eventual candidatura do ex-chefe de Estado às presidenciais de 2021.

Outro propõe reestruturar o órgão criado pelo ex-governante para nomear autoridades de controle, o que, na prática, suporia uma "descorreização" do Estado.

Mas os correístas advertem que uma vitória do "sim" nesta questão permitiria a Moreno se apropriar temporariamente de todos os poderes estatais, nomeando "a dedo" as novas autoridades, entre elas o procurador e o controlador, que exercerão sua função até as próximas eleições regionais, em 2019.

"A consulta tem uma dedicatória a Correa, com uma clara vontade de se afastar dos últimos 10 anos", explicou à AFP David Chávez, analista político da Universidade Central de Quito.

O ex-presidente, um economista de 54 anos que, graças ao auge petroleiro, modernizou o país com fama de ingovernável, sustenta que a pergunta que planeja inabilitar os políticos condenados por corrupção é também uma via - judicial - para impedir seu retorno.

"Inventarão um delito contra mim para me inabilitar. É a nova estratégia da direita para destruir os dirigentes progressistas, como fizeram com Dilma, Lula e Cristina (Kirchner, na Argentina)", disse Correa à AFP.

- Um teste para Moreno -

Moreno venceu as eleições de abril com uma estreita margem diante do banqueiro conservador Guillermo Lasso.

Desde então, com seu estilo conservador, ganhou popularidade, mas à medida que se aprofundou a brecha no governo entre "morenistas" e "correístas" perdeu a maioria na Assembleia Nacional e teve que buscar novos apoios entre a oposição tradicional.

De fato, a consulta popular tem o apoio do CREO, o partido de Lasso, e do Partido Social Cristão (PSC), importantes forças políticas adversárias do correísmo.

"A liderança de Moreno está sendo colocada à prova na consulta. A ideia é dar a ele o mandato que não obteve nas eleições anteriores, posto que ainda contava com o apoio de Correa", explica o cientista político Esteban Nichols.

Mas este analista da Universidade Andina Simón Bolívar adverte que todas as forças que o apoiam "vão tentar tirar um pedaço de uma eventual vitória do 'sim'", o que poderia dificultar a governabilidade e a estabilidade política no país.

- Ajuste econômico -

Os economistas recordam que o modelo econômico de alto endividamento e elevado gasto público que caracterizaram os últimos anos de Correa deixaram um grande déficit fiscal.

Uma vitória do "sim" poderá dar ao presidente o capital político necessário para tomar certas medidas de ajuste, certamente pressionado pelas forças conservadoras que o apoiam.

"Moreno tem o desafio de superar a inércia do manejo econômico do correísmo sem cair nas garras do neoliberalismo", sustenta o economista Alberto Acosta, antigo colaborador de Correa.

A pergunta que planeja derrubar a lei aprovada por Correa para limitar o lucro imobiliário é interpretada por alguns como uma cessão aos interesses conservadores, que o então presidente atacou sem trégua durante a década que esteve no poder.

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