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Estado de Minas

Maduro tacha declarações de Tillerson de 'ameaça suja'


postado em 02/02/2018 22:06

O presidente Nicolás Maduro qualificou nesta sexta-feira (2) de "ameaça suja" uma declaração do secretário de Estado americano, Rex Tillerson, que ao referir-se à crise venezuelana evocou a participação de militares para substituir governos na América Latina.

"Todos devemos ter um plano de defesa. Aí está a ameaça suja que lançou Rex Tillerson", disse Maduro durante um congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) que o aclamou como candidato às presidenciais convocadas para antes de 30 de abril.

O presidente, que mais cedo recebeu o apoio das Forças Armadas ante as afirmações de Tillerson, anunciou a criação de um "plano de defesa popular, cívico-militar, contra qualquer tentativa golpista", que encarregou ao número dois do chavismo, Diosdado Cabello.

Segundo Maduro, esse plano busca blindar as presidenciais, além disso, de "qualquer provocação da oligarquia colombiana na fronteira" binacional.

Na quinta-feira, Tillerson defendeu uma "mudança pacífica" na Venezuela ao ser perguntado sobre soluções para a crise do país petroleiro.

"As transições pacíficas, a mudança pacífica de regime sempre é melhor que a alternativa da mudança violenta", disse na Universidade do Texas.

No entanto, Tillerson recordou que muitas vezes na história da América Latina as Forças Armadas, após tomarem o poder, se resignaram a implementar uma transição pacífica "quando as coisas vão tão mal que a cúpula militar toma consciência de que já não pode ser útil para a cidadania".

"Se este é o caso aqui, eu não sei", disse o chefe da diplomacia americana. "Nossa posição é que Maduro deveria regressar à sua Constituição e respeitá-la. Depois, se o povo não o reeleger, pois que seja assim. E se as batatas queimarem para ele, tenho certeza de que ele tem amigos em Cuba que podem lhe ceder uma linda fazenda sobre a praia e que poderá ter uma boa vida por lá".

O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, rejeitou essas afirmações por considerá-las uma insinuação de que os militares venezuelanos "podem se tornar agentes de mudança", e disse que as Forças Armadas "ratificam seu apego à Constituição e sua lealdade" a Maduro.

A chancelaria venezuelana denunciou em um comunicado que a viagem de Tillerson iniciada nesta sexta-feira pela América Latina e o Caribe busca "provocar uma mudança violenta do presidente (Maduro), incitando um golpe militar".

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