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Estado de Minas

Após violenta briga, França pede que migrantes não voltem a Calais


postado em 02/02/2018 19:48

Um dia depois dos confrontos mais violentos registrados em Calais entre migrantes, o governo francês pediu nesta sexta-feira (2) às pessoas que quiserem cruzar para a Grã-Bretanha que não voltem a esta cidade portuária do norte da França.

Quatro jovens eritreus seguiam entre a vida e a morte após terem sido atingidos por disparos no dia anterior em brigas que deixaram um total de 22 feridos, segundo o último balanço das autoridades.

Estas brigas, que na quinta-feira ocorreram entre afegãos e eritreus, são comuns na região de Calais, onde chegam centenas de migrantes com esperança de poderem cruzar clandestinamente o Canal da Mancha. Mas nunca haviam sido tão violentas.

A tensão atual recorda a situação incontrolável que existia na zona quando milhares de migrantes se amontoavam em um campo conhecido como "A Selva", que foi desmantelado em 2016.

Calais "é um muro contra o qual as pessoas se encontram quando vêm para cá acreditando que vão cruzar para a outra margem e acabam passando meses aqui nas condições que conhecemos", advertiu o ministro francês do Interior, Gérard Collomb, que foi até o local.

"A mensagem que quero transmitir é que se quiserem ir à Grã-Bretanha, não é para aqui que devem vir", insistiu.

Esses confrontos ocorrem em um momento em que o governo de Emmanuel Macron prepara um projeto de lei sobre imigração que os defensores dos migrantes denunciam como um endurecimento das condições de acolhida.

Desde o desmantelamento da "Selva", o número de migrantes caiu, mas centenas - cerca de 800 pessoas segundo as associações, entre 550 e 600 segundo a Prefeitura - seguem morando nos arredores, em uma situação de precariedade que as associações denunciam regularmente.

As autoridades tentam impedir que seja criado um novo "ponto de fixação" ao redor do porto de Calais, de onde zarpam os ferries com destino à costa inglesa.

França e Reino Unido acordaram em 2003 que a fronteira britânica seja estabelecida em território costeiro francês em troca de uma contribuição financeira de Londres que recentemente foi aumentada durante uma cúpula franco-britânica.

- Desmantelar as redes de traficantes -

Os quatro feridos mais graves, que teriam entre 16 e 18 anos, sofreram lesões na cervical, no tórax, no abdômen e na medula espinhal.

"É um grau de violência nunca visto", destacou Collomb, lamentando estes acontecimentos "excepcionalmente graves".

Após a violência, a noite foi tranquila, informou uma fonte policial.

"Distribuímos 300 pratos de comida com calma esta manhã" em um dos locais onde os confrontos aconteceram, afirmou à AFP Jean-Claude Lenoir, presidente da associação Salam.

Durante o dia não foi percebido nenhum sinal de tensão enquanto os migrantes tentavam se proteger de um frio glacial, constatou a AFP.

A Polícia buscava nesta sexta-feira um homem de nacionalidade afegã, de 37 anos, suspeito de ter disparado contra os eritreus perto do hospital de Calais, onde era realizada uma distribuição de comida.

A Procuradoria indicou que as circunstâncias do enfrentamento começavam a ser esclarecidas e que tudo indicava que se tratou de "um ajuste de contas".

As armas de fogo, assinalou uma fonte judicial, pertenciam "às redes de traficantes".

Segundo Collomb, estes teriam começado, ao menos em parte, os confrontos de quinta-feira.

"Agora vemos claramente que estão organizados em gangues. Assim como no passado podiam acontecer fenômenos espontâneos, atualmente vemos que há chefes de gangues que mobilizam seu entorno. Estas redes devem ser desmanteladas", disse o ministro.

Os patrulhamentos dos serviços estatais foram intensificadas e houve saídas reforçadas em ônibus para os diversos centros de recepção e exame de situação (CAES) que estão na região, principalmente para os afegãos que desejarem, informou a Prefeitura.

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