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Estado de Minas

Maduro é oficializado candidato à reeleição na Venezuela


postado em 02/02/2018 19:48

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi proclamado candidato da situação para tentar a reeleição, apesar da baixa popularidade, nas presidenciais antecipadas para antes de 30 de abril.

Vestindo uma camisa vermelha, Maduro recebeu o estandarte do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), sendo ovacionado pelos mais de 500 delegados do partido.

"Vamos rumo a uma grande vitória", disse o presidente em seu discurso no plenário do congresso do PSUV, transmitido pela TV oficial, e ao qual esteve presente a primeira-dama, Cilia Flores.

Sua proclamação, feita no aniversário de 19 anos da posse do falecido líder Hugo Chávez (1999-2003), foi proposta pelo poderoso vice-presidente do PSUV, Diosdado Cabello:

"Aprovado por aclamação. O senhor é oficialmente o candidato do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV)", declarou Cabello, sob aplausos.

Maduro, um ex-motorista de ônibus de 55 anos, enfrenta uma impopularidade de 70%, segundo o instituto de pesquisas Delphos, pois parte da população o associa com a hiperinflação - projetada em 13.000% pelo FMI para 2018 - e a grave escassez de alimentos e medicamentos que tornam angustiante o cotidiano dos venezuelanos.

Mas o presidente, cujo mandato de seis anos termina em janeiro de 2019, tem um sólido controle institucional - com exceção do Parlamento, de maioria opositora -, inclusive a Força Armada, que nesta sexta-feira ratificou sua lealdade.

Apoiado por Rússia e China, que lhe dão fôlego em meio a uma economia declarada em default, Maduro encara o isolamento internacional e as sanções impostas por Estados Unidos e União Europeia por considerarem que seu governo se derivou em autocracia.

- Arma contra o imperialismo -

A governista Assembleia Nacional Constituinte, que rege o país com poderes absolutos, decidiu em 23 de janeiro antecipar as eleições para o primeiro quadrimestre do ano - tradicionalmente são celebradas em dezembro -, embora não haja uma data precisa.

"Mais eleições, mais democracia, mais poder popular, esta é a nossa arma contra o imperialismo", afirmou o presidente ao ser proclamado.

Segundo Maduro, "o governo dos Estados Unidos entrou em uma fase de obsessão impotente e de desespero" por destruir a "revolução bolivariana".

"E a batalha eleitoral define os campos para os próximos anos", acrescentou.

Assim que a Constituinte anunciou a antecipação do pleito, Maduro iniciou sua campanha com tudo: propaganda na TV, comícios e atos nos quais dança salsa e reaggaeton, e uma série de subsídios para grávidas, pessoas com deficiências, pensionistas e até para desfrutar o carnaval.

Em seu discurso, o presidente prometeu garantir "a paz, a independência e um caminho de prosperidade".

"O tema econômico é o mais complexo dos anos futuros e só nós temos o projeto, a experiência e a capacidade para construir uma economia diversificada", assegurou, ao criticar o rentismo petroleiro, do qual dependem 96% das divisas do país.

- Um adversário debilitado -

A decisão de antecipar as eleições, somada ao controle institucional, voltou a colocar o sucessor de Hugo Chávez em posição favorável ante uma oposição dividida e fragilizada.

Dois dias depois da decisão da Constituinte, o poder judicial - acusado pela oposição de servir ao governo - excluiu à opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) das eleições, argumentando que é uma coalizão de partidos e não está permitida a dupla militância.

A oposição ainda não decidiu se disputará primárias ou elegerá um candidato único por consenso, que seja postulado por algum dos partidos da MUD, diante da exclusão da aliança.

Mas não há um candidato forte. Os principais líderes da MUD, Henrique Capriles - que em 2013 perdeu para Maduro por pequena margem - e Leopoldo López - em prisão domiciliar -, estão inabilitados politicamente.

"O chavismo tem oportunidades de vencer esta eleição (...) Se a oposição não dá os passos certos, milimetrados, as possibilidades de que Maduro vença uma eleição, inclusive sem trapaça, existem", afirmou à AFP o analista Félix Seijas, diretor do instituto de pesquisas Delphos.

As condições eleitorais e a data das eleições são os principais pontos das negociações iniciadas pelo governo e a MUD em 1º de dezembro na República Dominicana.

Esta antecipação esteve a ponto de acabar com o diálogo, embora esta semana as partes tenham conversado em Santo Domingo e decidido continuar em Caracas a busca por um acordo.

Segundo analistas, a abstenção é o grande inimigo da oposição, que passa por uma forte crise de credibilidade, após tentar em 2016 tirar sacar Maduro do poder com um referendo revogatório - que não vingou - e com maciços protestos que deixaram 125 mortos em 2017.

Maduro advertiu que tentará a reeleição mesmo se a oposição decidir se marginalizar do processo.

"Chega de enrolar, tudo o que tinha que ser dito, foi dito. Ou assinamos ou assinamos e nós vamos às eleições com vocês ou sem vocês", declarou Maduro no ato em Caracas.

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