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Estado de Minas

Catar, isolado por seus vizinhos, amplia a compra de armas


postado em 02/02/2018 16:12

Desde o início da crise com seus poderosos vizinhos do Golfo, que tentam isolá-lo, o rico emirado do Catar investe intensamente na compra de armas, para fazer frente a qualquer eventualidade e demostrar que continua a fazer negócios com o Ocidente.

A Arábia Saudita e seus aliados romperam, em junho, todas as relações com Doha, acusando o país que vai receber a Copa do Mundo de futebol de 2022 de apoiar grupos extremistas e de se aproximar do Irã, grande rival de Riade.

Desde então, o Catar anunciou a assinatura de uma série de contratos militares por um valor total de 20 bilhões de euros (25 bilhões de dólares).

"Ainda que os gastos em defesa do Catar tenham aumentado nos últimos anos, essa aceleração parece ligada à crise", opina David Roberts, professor da King's College de Londres.

Após o início da crise, Doha comprou caças F-15 dos Estados Unidos. Em dezembro, o emirado assinou um contrato para a aquisição de 12 aviões de combate Rafale adicionais, durante uma visita do presidente francês Emmanuel Macron.

O país também confirmou uma encomenda de sete navios de guerra para a Itália e iniciou negociações para comprar sistemas russos de defensa antiaérea S-400.

Em dezembro, durante um feriado nacional, as tropas catarianas desfilaram com mísseis balísticos de fabricação chinesa recém-adquiridos.

"Há um investimento maciço no âmbito militar", resume Andreas Krieg, conselheiro do governo catariano até o ano passado.

O ritmo crescente de gastos militares revela o temor de uma invasão, apontam especialistas.

De acordo com Krieg, o medo de uma invasão remonta a 2014, quando a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein convocaram para consulta seus embaixadores em Doha repentinamente.

A crise foi resolvida - ou, pelo menos, abafada -, mas a memória dela segue viva.

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