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Estado de Minas

China planeja abrir base militar no leste do Afeganistão


postado em 02/02/2018 15:30

A China negocia com o Afeganistão a construção de uma base militar perto de sua fronteira comum com a intenção de evitar as incursões de militantes islamitas em seu território e apoiar o país vizinho.

A construção do campo militar nas montanhas de Wakhan (nordeste), em frente à agitada região chinesa de Xinjiang, ficaria a cargo do Afeganistão. Recentemente, tropas chinesas e afegãs realizaram patrulhas conjuntas na zona.

O plano aparece dentro dos projetos de infraestruturas do presidente Xi Jinping para a Ásia central, como a iniciativa Cinturão e Rota da Seda ("One belt, one Road", em inglês) que ligará Pequim à Europa.

Segundo os observadores, a China desembolsa bilhões de dólares na Ásia do sul e central e não quer que o conflito afegão desestabilize a região.

Pequim teme que membros da minoria uigur no exílio, militantes do Movimento Islâmico do Turquestão Oriental (ETIM), ou outros ataquem sua fronteira por Wakhan. Ou até que membros do grupo Estado Islâmico (EI) que fogem de Iraque e Síria cruzem a região e entrem em Xinjiang.

O projeto foi abordado recentemente pelos ministros da Defesa afegão e chinês, mas sem finalizar os detalhes, confirmou à AFP o porta-voz adjunto do ministro da Defesa afegão, Mohamad Radmanesh.

"Nós vamos construí-la (a base), mas o governo chinês se comprometeu a contribuir com seu financiamento e treinar e equipar os soldados afegãos", informou.

"Continuamos ajudando o país a reforçar suas capacidades", declarou à AFP um responsável da embaixada da China em Cabul.

Os representantes da operação Resolute Support da Otan se negaram a fazer comentários a respeito, mas responsáveis americanos acolheram favoravelmente o envolvimento da China no Afeganistão.

- Patrulhas conjuntas -

Para reforçar a segurança da faixa conhecida como o Corredor de Wakhan, também fronteiriça com Paquistão e Tadjiquistão, as tropas chinesas efetuaram patrulhas com seus pares afegãos, afirmaram à AFP membros da minoria quirguiz que vive no local.

"O Exército chinês veio pela primeira vez no verão passado acompanhado do Exército afegão", afirmou em outubro Abdul Rashid, responsável quirguiz de Wakhan. Ele assegura ter visto grandes veículos com a bandeira chinesa.

"Vários responsáveis do Exército afegão, entre eles o comandante para a província de Badakhshan, chegaram aqui alguns dias antes e nos advertiram que viriam militares chineses e que não devíamos criar problemas". "Nos proibiram estritamente de nos aproximarmos deles ou tirar fotos".

Outros vizinhos confirmam. Segundo o chefe quirguiz Jo Boi, os militares chineses ficaram quase um ano em Wakhan e foram embora em março de 2017. Voltaram três meses depois.

Responsáveis chineses e afegãos desmentem. O Ministério da Defesa chinês assinalou à AFP que "a China não está envolvida militarmente no Corredor de Wakhan".

A região está completamente isolada pelas montanhas. Mas seus aproximadamente 12 mil habitantes (quirguizes e, ao sul, a tribo Wakhi) mantêm vínculos com o norte do Paquistão e com Xinjiang.

"São bons. Nos trouxeram comida e roupa de frio", disse Jo Boi sobre os militares chineses.

"Voltaram em junho e acamparam um mês aproximadamente e, desde então, voltam a cada mês para distribuírem mantimentos em Minora", localidade quirguiz na fronteira sino-afegã.

- Interesses econômicos -

A China teme o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, mas também que membros do EI acabem em Xinjiang, ou na Ásia central, e ameacem seus interesses econômicos na região, considera Ahmad Bilal Khalil, pesquisador do centro regional de estudos estratégicos, com sede em Cabul.

"Precisam de um Afeganistão seguro", afirmou, estimando que Pequim tenha pago ao país mais de 70 milhões de dólares em termos de ajuda militar nos últimos três anos.

Além disso, a China planeja incluir no Afeganistão o projeto do Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), de um montante superior a 54 bilhões de dólares, para conectar o oeste do território chinês com o Oceano Índico.

"Lutar contra o terrorismo é, sem dúvida, importante, mas menos que o plano do CPEC", afirma Willy Lam, professor de Ciências Políticas da Universidade chinesa de Hong Kong.

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