Uma grande operação de resgate ocorria na noite desta quinta-feira (hora local) em uma mina de ouro na África do Sul na qual ficaram presos quase 1.000 homens, aparentemente em bom estado de saúde, após um corte de energia.
Esse corte de eletricidade parou os elevadores e impediu que subisse praticamente toda a equipe do turno da noite que opera na mina Beatriz, perto da cidade de Wilkom (centro), segundo a empresa Sibanye Gold, proprietária da mina.
Somente 60 mineiros conseguiram sair à superfície, detalhou um porta-voz da Sibanye Gold, James Wellsted, à emissora local ENCA.
"Ainda há 955 mineiros que temos que trazer à superfície", detalhou Wellsted posteriormente.
"Se agruparam em uma zona segura, na qual a ventilação funciona. Estamos lhes dando água e comida", disse à AFP.
A companhia nacional de eletricidade Eskom indicou que conseguiram restabelecer o fornecimento de energia em uma das duas linhas que abastecem a mina.
Mas o Sindicato Nacional de Mineiros indicou que 800 trabalhadores estavam no fundo do poço número três e outros 300 no poço número dois, aumentando o balanço para 1.100 mineiros presos.
"Descemos equipamentos de resgate, passamos a lista de todo mundo e é claro que estamos tentando trazê-los para a superfície o mais rápido possível", explicou o porta-voz da Sibanye Gold.
Não foi possível detalhar até agora a profundidade em que os mineiros estão presos. No entanto, as galeiras mais fundas estão a cerca de mil metros debaixo da terra.
Os geradores da mina que deviam ser ativados em caso de corte de energia não funcionaram, reconheceu Wellsted.
- Tempestade -
A tempestade que atingiu na quarta-feira à noite a mina Beatriz, a 290 quilômetros a sudoeste de Joanesburgo, danificou o cabeamento de alimentação elétrica da mina. Uma parte desta infraestrutura foi consertada durante o dia, acrescentou Wellsted.
"Durante a noite houve uma tempestade na província de Free State (centro) que provocou o corte de energia na mina. Por isso, esta manhã não conseguimos trazer à superfície os trabalhadores da noite", declarou Wellsted nesta quinta.
A Associação do Sindicato de Mineradores denunciou "a falta de planos de resgate na mina em termos de fontes alternativas de eletricidade" e falou de um "incidente muito grave, levando em conta o elevado número de mineiros bloqueados".
A principal central sindical do país, Cosatu, pediu imediatamente "uma investigação sobre este acidente" e exigiu que a companhia seja responsabilizada por negligência.
Os acidentes em minas são frequentes na África do Sul, que possui as mais profundas no mundo. Em 2015 morreram 77 pessoas em minas, segundo a Câmara Sul-Africana de Minas.
Em agosto do ano passado, morreram cinco trabalhadores em uma mina de ouro perto de Joanesburgo após um deslizamento.
Durante décadas, as minas, particularmente de ouro, foram o único motor de crescimento da economia sul-africana. No entanto, sua produção caiu recentemente devido ao esgotamento de suas reservas.
.