Onze dias após seu desaparecimento, o submarino argentino ARA San Juan continua, neste domingo (26), perdido no mar, com 44 tripulantes, e sem sinais de encontrá-lo, apesar dos equipamentos modernos usados em sua busca no Atlântico Sul. "O resgate do submarino vai levar tempo", afirmou neste domingo à AFP o analista e especialista em questões militares Rosendo Fraga, da consultoria Nueva Mayoría.
A nova esperança de encontrar o submergível, que parece ter sofrido uma explosão, são os modernos equipamentos de detecção enviados por Estados Unidos e Rússia. Ambas missões ainda não chegaram à área de rastreamento, a mais de 450 quilômetros da costa da Patagônia. "O leito marinho é muito irregular. É uma zona com muitos cânions e ravinas. Será difícil encontrá-lo. Pela pressão, a cabine pode sofrer danos irreversíveis", disse Carlos Zavalla, ex-comandante do navio, em um programa especial do Canal 13 da televisão argentina na noite deste sábado.
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A Armada (marinha), que descartou imediatamente algum tipo de ataque, prevê neste domingo avançar com as buscas, uma operação que envolve 14 países. Enquanto isso, familiares desesperados dos marinheiros fizeram duras críticas ao controle das informações oficiais e se disseram enganados. "Sofremos muito quando nos disseram que tinham sete ligações do submarino e depois nos disseram que não tinham certeza. Os familiares estão sob muita pressão", disse Itatí Leguizamón, mulher do cabo da Armada Germán Suárez, tripulante do ARA San Juan, no mesmo programa.
Irregularidades
"Cerca de 90% do equipamento das Forças Armadas argentinas tem entre 30 e 50 anos. No caso do submarino San Juan, ele foi incorporado à Armada há 32 anos, e era uma das embarcações mais modernas", revelou Fraga. O descuido na modernização das forças armadas "é consequência de uma visão antimilitarismo que surgiu no mundo político após o último golpe militar (e ditadura, entre 1976 e 1983) e da falta de prioridade do assunto militar nas últimas décadas", afirmou o analista.
O episódio despertou tensões no governo, apesar de o presidente Mauricio Macri ter pedido, nesta semana, para não começaram a "procurar culpados".
Sem esperanças
Neste domingo, as zonas de buscas registraram ondas de três metros e ventos fortíssimos, segundo meteorologistas oficiais. A cápsula de resgate que vai ser levada pelo navio norueguês Sophie Siem, saindo de Comodoro Rivadavia, ainda não conseguiu zarpar. As esperanças de que os marinheiros fossem encontrados com vida desapareceu.
A influente deputada macrista Elisa Carrió disse que o acidente "é um acontecimento irreversível" e que a tripulação, de 43 homens e uma mulher, "está morta". "O Estado não pode dizer até que tenha certeza absoluta. Eu posso", afirmou Carrió no programa do Canal 13.
O ARA San Juan foi fabricado na Alemanha em 1983. Desde 1985, é um dos três submarinos da Armada.