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Estado de Minas

Crise política na Alemanha, um freio para as reformas na UE


postado em 20/11/2017 16:52

As eleições na Alemanha eram para a União Europeia uma formalidade, mas o fracasso da chanceler Angela Merkel em formar um governo de união preocupa seus sócios, pois a crise política na primeira economia do bloco continua freando a agenda de reformas da UE.

O fracasso das negociações entre os conservadores de Merkel, os liberais do FDP e os verdes levou a UE a "uma situação muito, muito difícil", reconheceu nesta segunda-feira em Bruxelas o ministro das Finanças da Áustria, Hans Jörg Schelling.

"Nos encontramos em meio a uma fase em que estamos debatendo sobre aprofundar a (integração da) Europa e como fazer isso, e um sócio como a Alemanha é crucial", acrescentou Schelling, que alertou sobre novas eleições com "um resultado incerto".

A UE esperava a passagem das eleições na Holanda, na França e na Alemanha em 2017 para começar a impulsionar um bloco submerso nas negociações do Brexit, sua maior crise política, que será concretizado em 29 de março de 2019.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o presidente da segunda economia da zona do euro, o francês Emmanuel Macron, também apresentaram seus ambiciosos planos para aprofundar a União Econômica e Monetária.

Os primeiros passos deveriam ser tomado em uma cúpula da zona do euro em meados de dezembro, mas sem um governo na Alemanha, um "país muito influente na UE", "será muito complicado tomar decisões difíceis", nas palavras do chanceler holandês Halbe Zijlstra.

"Ninguém pode preencher o vazio de Merkel", avalia Dominik Grillmayer, do Instituto Franco-Alemão de Ludwigsburg (Alemanha), para quem isso supõe um problema para as reformas de Macron, que "precisa de Merkel". "Ele não pode se comportar como homem forte da Europa no lugar da chanceler".

Entre as importantes decisões dos próximos meses, uma das mais controversas é a reorientação do sistema europeu de refúgio. A política migratória foi, inclusive, o principal obstáculo nas negociações para formar governo.

- 'Más notícias para a Europa' -

A ruptura nas negociações para uma coalizão, conhecida como 'Jamaica', são "más notícias para a Europa", acrescentou Zijlstra, cujo governo demorou mais de 200 dias para ser formado.

A Comissão Europeia tentou minimizar a crise nesta segunda-feira, afirmando que "a estabilidade e a continuidade" estão garantidas na Alemanha pela Constituição do país, segundo o porta-voz Margaritis Schinas, que evitou especular sobre eventuais consequências para os planos europeus.

Outros não demonstraram tanta prudência. Um alto funcionário da UE não descartou um adiamento da cúpula da zona do euro de dezembro. "Veremos se os alemães solicitam o adiamento", disse à AFP, acrescentando que, se este for um pedido de Berlim, deverá ser aceito.

Algumas das propostas para a reforma da zona do euro são explosivas no debate público na Alemanha, como a possibilidade de um orçamento próprio da Eurozona, como propõe Macron e que os liberais alemães rejeitam, ou um futuro ministro das Finanças europeu.

Outras das preocupações na Europa é o impacto da crise alemã na já complicada negociação do Brexit, embora o chanceler holandês tenha descartado alardes "neste momento", quando a UE espera uma "oferta substancial dos britânicos".

Na cúpula prevista para meados de dezembro, os 27 líderes europeus, sem a britânica Theresa May, devem determinar se a negociação de divórcio evoluiu o suficiente para poder dar seu aval ao início das discussões sobre um futuro acordo comercial, como pede Londres.

Os mandatários deverão adotar novas diretrizes de negociação que servirão de guia nesta segunda fase de discussões, quando a unidade dos 27 frente a Londres será testada, já que a relação comercial mexe com os interesses econômicos de cada país individualmente.

Uma paralisia política na Alemanha poderia agravar assim as tensões emergentes. Sobre o Brexit, até agora "não estava especialmente preocupado" pelo eventual impacto da crise política alemão, disse o alto funcionário da UE.


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