O governo iraniano prometeu nesta terça-feira (14) uma rápida mobilização de ajuda para acabar com as dificuldades enfrentadas pelos atingidos pelo terremoto que deixou ao menos 432 mortos e 7.700 feridos no domingo.
O tremor, de 7,3 graus de magnitude, também deixou oito mortos e 336 feridos no Iraque.
Na cidade iraniana de Sarpol-e Zahab, local de origem da maior parte das 432 vítimas fatais, segundo o último balanço oficial, uma equipe de socorristas e cães farejadores do Crescente Vermelho continuava buscando sobreviventes nesta terça, comprovou um jornalista da AFP.
O centro da cidade estava engarrafado: muitos habitantes da província se aproximaram com seus veículos para ajudar os atingidos. Alguns dividiam mantas e outros água. Um auxílio que se somava aos esforços do Estado.
Em uma rua do centro desta cidade de 85.000 habitantes, os moradores ajudavam os policiais a evacuar um idoso com o rosto coberto de sangue seco e com a mão enfaixada, cuja casa corria o risco de desabar a qualquer momento.
Em vários parques foram colocadas centenas de tendas do Crescente Vermelho ao lado de outras particulares.
"Precisamos de barracas e cobertores para passar a noite", declarou Shima Maaryami Kiani, de 24 anos, que tem um filho de três.
- Alojamento e alimentação -
Como eles, dezenas de milhares de atingidos terão que passar a noite fora de suas casas pela segunda vez.
O presidente Hassan Rohani, que chegou pela manhã de helicóptero, deve se reunir durante a tarde com as autoridades locais para avaliar a situação.
"Quero assegurar a todos os que sofrem que o governo começou a agir com todo o seu poder e que está se esforçando para resolver (os problemas) o mais rápido possível", anunciou.
Com a aproximação do inverno, a ajuda aos atingidos nesta região do oeste do Irã se torna um desafio maior. Segundo uma estimativa oficial, 15.500 casas foram destruídas e outras 15.000 danificadas.
De acordo com as autoridades, sete cidades e quase 2.000 vilarejos sofreram danos.
"A urgência agora é apresentar soluções de alojamento e alimentação", disse à televisão Pir Hosein Koolivand, diretor do Serviço Nacional de Resgate.
Os terremotos são frequentes no Irã: o tremor de dezembro 2003, que destruiu a cidade histórica de Bam e deixou 31.000 mortos, e o de junho de 1990 (40.000 mortos no norte do país) permanecem na memória do país.
- Iniciativas privadas -
As zonas afetadas pela catástrofe foram, entre 1980 e 1988, um importante campo de batalha na guerra entre Irã e Iraque e conservam os estigmas, em particular Sar-e Pol-e Zahab, símbolo da resistência iraniana no conflito iniciado por Bagdá.
A província de Kermanshah tem uma população majoritariamente curda.
O governo anunciou na segunda-feira o envio de 22.000 barracas, 52.000 cobertores e quase 17 toneladas de arroz e 100.000 latas de alimentos em conserva.
Mas vários responsáveis locais, citados por meios de comunicação iranianos, consideraram nesta terça que os esforços do Estado ainda eram insuficientes para responder à necessidade da população local.
As iniciativas privadas ganharam projeção. O ex-jogador de futebol iraniano Ali Daei lançou uma coleta de alimentos e bens de primeira necessidade, e um grande cinema de Teerã anunciou que dedicará a metade de seus rendimentos para ajudar os atingidos. Além disso, dois times de futebol da capital anunciaram o envio de centenas de tendas e cobertores.
O governo afirmou que a distribuição de água e energia elétrica estava sendo progressivamente restabelecida na maior parte das zonas afetadas.
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