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Estado de Minas

Bangladesh leva crise dos rohingyas para Assembleia da ONU


postado em 16/09/2017 15:22

A primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, embarcou neste sábado (16) rumo a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, onde pedirá a solidariedade internacional diante do fluxo em massa de mais de 400.000 rohingyas que fogem de Mianmar.

Em três semanas, o sul de Bangladesh, que faz fronteira com Mianmar, transformou-se em um dos maiores campos de refugiados do mundo, devido ao êxodo dessa minoria muçulmana que deixa Mianmar.

Cerca de 409.000 rohingyas chegaram a Bangladesh desde o fim de agosto, segundo fontes da ONU, fugindo de uma campanha de repressão do Exército birmanês em resposta aos ataques dos rebeldes rohingyas contra delegacias em 25 de agosto.

Os refugiados muçulmanos rohingyas chegaram a Bangladesh esgotados, desamparados e famintos depois de dias caminhando. Autoridades locais e organizações internacionais se esforçam para fazer frente a essa maré humana, de uma dimensão sem precedentes neste conflito.

Tratados como estrangeiros em Mianmar, país onde mais de 90% da população é budista, os rohingyas são considerados apátridas, apesar de alguns estarem instalados ali há gerações.

- Pressão sobre Mianmar -

Em Nova York, Hasina "também pedirá à comunidade internacional e à ONU que pressionem Mianmar para que todos os refugiados rohingyas sejam repatriados para suas casas", anunciou seu serviço de imprensa neste sábado.

Diante da magnitude do êxodo, a ONU não hesita em falar de "limpeza étnica".

Nesta semana, o Conselho de Segurança exigiu que Mianmar tome medidas imediatas para acabar com a "violência excessiva" no estado de Rakhin.

Nos campos onde os rohingyas se aglomeram em Bangladesh, "as necessidades são enormes, e as pessoas sofrem cada vez mais", advertiu a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Marixie Mercado.

As autoridades de Bangladesh decidiram neste sábado restringir a liberdade de movimento dos refugiados porque temem que fujam em massa para outras regiões do país.

A polícia de fronteiras lhes deu a ordem de não abandonar os campos de refugiados e as zonas delimitadas para recebê-los.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) começou a vacinar as crianças, que representam 60% dos refugiados, contra rubéola e sarampo.

A escassez de insumos gera marés humanas cada vez que aparece um veículo de entrega, com consequências que podem ser dramáticas, como ocorreu neste sábado, quando duas crianças e uma mulher morreram esmagados pela multidão enquanto um caminhão distribuía roupas, segundo afirmaram agências da ONU e duas ONGs.

- 14 mil abrigos -

Hoje, Bangladesh anunciou que construirá cerca de 14 mil novos abrigos para receber milhares de refugiados.

"Cada abrigo terá capacidade para seis famílias", disse à AFP o secretário para a Gestão de Desastres de Bangladesh, Shah Kamal, explicando que os campos onde essas instalações serão construídas contarão com água e serviços médicos e sanitários.

Até o momento, Bangladesh não havia permitido que os refugiados fossem registrados. Diante da magnitude da crise, flexibilizou sua posição e começou a listar os rohingyas, mediante fotos e impressões digitais.

Do lado birmanês, cerca de 30.000 budistas e hindus fugiram de seus povoados por conta da violência. Lá, também é organizada uma ajuda humanitária, administrada pelas autoridades birmanesas.

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