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Estado de Minas

Irã recruta xiitas afegãos e paquistaneses para lutar na Síria


postado em 16/09/2017 09:37

Islamabad, 16 - Milhares de muçulmanos xiitas do Afeganistão e do Paquistão estão sendo recrutado pelo Irã para lutar ao lado das forças do presidente Bashar al-Assad na Síria, atraídos por promessas de moradia, salário mensal de até US$ 600 e possibilidade de emprego no Irã quando retornarem, disseram autoridades de contraterrorismo e analistas.

Esses combatentes, que receberam elogios públicos do líder supremo do Irã Ayatollah Ali Khamenei, têm suas próprias brigadas, mas autoridades do contraterrorismo nos dois países se preocupam com o caos que podem causar quando voltarem para casa em países que já estão enfrentando um grande problema com a violência crescente.

Amir Toumaj, analista de pesquisa do Irã na Fundação para a Defesa das Democracias, disse que cerca de 6 mil afegãos estariam lutando por Assad, enquanto o número de paquistaneses, que lutam sob a bandeira da Brigada Zainabayoun, estaria na casa de centenas.

No Afeganistão, ataques intensificados contra minorias xiitas reivindicados pelo grupo afiliado do Estado Islâmico conhecido como Estado Islâmico na Província de Khorasan poderiam ser uma vingança contra os xiitas afegãos na Síria lutando sob a bandeira da brigada Fatimayoun, disse Toumaj. Khorasan é um nome antigo para uma área que incluiu partes do Irã, Afeganistão, Paquistão e Ásia Central. "O Estado Islâmico tem suas estratégias para inflamar conflitos sectários", disse.

O Paquistão também foi alvo do Estado Islâmico na província de Khorasan, com ataques brutais contra a comunidade xiita do país. Ali, as rivalidades sectárias rotineiramente geram violência. Os alvos habituais são os minoritários xiitas, tornando-os dispostos a serem recrutados, disse Toumaj.

Um oficial de inteligência paquistanês, que falou sob condição de anonimato porque não está autorizado a falar com a imprensa, disse que os recrutadores são frequentemente clérigos xiitas com laços com o Irã.

Os combatentes se inscrevem por vários motivos. Alguns são inspirados a ir para a Síria para proteger os locais considerados sagrados para os xiitas muçulmanos, como o santuário em homenagem a Sayyida Zainab, neta do profeta Maomé Muhammed, que foi atacado por rebeldes sírios em 2013. Outros se inscrevem pelo salário mensal e a promessa de uma casa. Para aqueles recrutados entre os mais de 1 milhão refugiados afegãos vivendo no Irã, o motivo muitas vezes é a promessa de residência permanente no Irã.

Nadir Ali, analista de políticas da Rand Corp., disse que os recrutas afegãos e paquistaneses também fornecem ao Irã futuros exércitos que Teerã pode empregar para aumentar a sua influência na região. Apesar das alegações de que o Irã está ajudando os talebans no Afeganistão, ele avalia que os combatentes xiitas endurecidos pela batalha serão a arma de Teerã, se as relações com um governo afegão deteriorar.

"Uma vez que a guerra civil síria morrer, o Irã terá milhares, se não dezenas de milhares de milícias, sob seu controle para usar em outros conflitos", disse. "Há um potencial do Irã se envolver mais no Afeganistão usando a milícia porque o Irã está realmente preocupado com a segurança de sua fronteira".

Fonte: Associated Press

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