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Estado de Minas

Mais de 700 prefeitos defendem referendo catalão, desafiando Madri


postado em 13/09/2017 19:01

Mais de 700 prefeitos na Catalunha dispostos a organizar o referendo de autodeterminação proibido pela Justiça se expõem a ser investigados e até presos, advertiu a Procuradoria-Geral da Espanha nesta quarta-feira, antes de os separatistas lançarem a campanha para a consulta.

Em uma nota a que a AFP teve acesso, o procurador-geral do Estado, José Manuel Maza, ordenou aos procuradores na Catalunha citar em qualidade de investigados os prefeitos "relacionados com os supostos atos de cooperação na organização do referendo ilegal" de 1º de outubro.

No caso de não comparecerem, o procurador pede "que acordem a sua detenção e apresentação à Procuradoria".

É um feito "muito grave" e sem "precedentes", criticou Neus Lloveras, presidente da Associação de Municípios pela Independência (AMI), organização que estima em 712, dos 948 prefeitos na Catalunha, os comprometidos em realizar o referendo.

"Que nos prendam, estão loucos!", reagiu em conversa por telefone com a AFP David Rovira, prefeito do partido PDCat (conservador e separatista) da cidade de Espluga de Francoli, de 3.800 habitantes.

"Tem que haver uma posição de desobediência na totalidade dos prefeitos", disse Montse Venturós, prefeita de Berga da CUP, partido separatista de extrema esquerda cujos prefeitos não atenderão à convocação dos procuradores.

Entre cartazes que proclamavam "Adeus Espanha", centenas de milhares se manifestaram na segunda-feira no centro de Barcelona pela independência, em ocasião da Diada, o dia da Catalunha.

O chefe do governo espanhol, o conservador Mariano Rajoy, decidido a impedir a consulta, pediu novamente às autoridades catalãs que acatem a lei e as decisões judiciais.

O presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, qualificou nesta quarta de "barbaridade" a convocação e a ameaça de prisão contra os mais de 700 prefeitos, assegurando que se manifestará com eles.

"Isto é uma barbaridade. Onde, no mundo ocidental ou europeu, alguém pode pensar que detendo, no pior dos casos, 75% dos prefeitos do país está contribuindo para solucionar o problema?", questionou Puigdemont em entrevista à emissora pública catalã TV3.

"É uma causa geral, é uma causa que lembra práticas impróprias de uma democracia", acrescentou.

Enquanto o presidente regional entra entrevistado, alguns catalães protestavam em suas varandas com panelaços contra a decisão do procurador-geral José Manuel Maza de citação dos prefeitos.

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