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Estado de Minas

Universalização da cobertura de saúde pública ganha força nos EUA


postado em 13/09/2017 16:07

Universalizar a cobertura da saúde pública nos Estados Unidos, uma proposta que será apresentada nesta quarta-feira pelo senador progressista Bernie Sanders, ganha força no Partido Democrata, em especial entre os possíveis futuros candidatos à Casa Branca.

Sanders, adversário de Hillary Clinton nas primárias democratas presidenciais de 2016, fez deste tema a bandeira de seu "projeto de revolução". Hillary, no entanto, o considerou pouco realista e preferiu promover uma reforma gradual do atual sistema, que combina responsabilidades privadas e públicas.

Mas um ano depois, ante o questionamento do Obamacare, a emblemática reforma do seguro de saúde aprovado em 2010, a proposta utópica de Sanders seduz a vanguarda democrata: Kamala Harris, Cory Booker e Kirsten Gillibrand.

A eles se soma Elizabeth Warren, senadora por Massachussetts e famosa por suas posturas de esquerda. Os quatros e o próprio Sanders são vistos como potenciais pré-candidatos na disputa contra o presidente republicano Donald Trump dentro de três anos.

O projeto de lei de Sanders, um "socialista" independente vinculado aos democratas, não tem, no entanto, nenhuma possibilidade de ser aprovado ou, inclusive, debatido, em um Congresso controlado pelos republicanos.

Mas os democratas estão preparando o terreno ideológico da campanha de 2020. "A saúde deve ser um direito, não um privilégio", afirmou a senador Gillibrand, uma nova-iorquina de 50 anos.

Ao menos 16 dos 48 membros da bancada democrata apoiam a iniciativa, considerada tão radical durante os debates do Obamacare em 2009 e que foi rapidamente marginalizada pela então maioria democrata.

"Agora chegou a hora para esta ideia", sentenciou o senador democrata Richard Blumenthal.

- Eleições de 2018 na mira -

Nos Estados Unidos, as pessoas contam com um seguro médico particular, geralmente pago pelos empregadores ou pelo Estado federal para os com poucos recursos (programa Medicaid) ou para os maiores de 65 anos (Medicare).

É precisamente o Medicare, uma instituição sagrada nos Estados Unidos, que Sanders quer estender à toda população.

A Lei da Atenção Sanitária Acessível (Affordable Care Act, ACA), impulsionada pelo ex-presidente Barack Obama e conhecida como Obamacare, não questionou a arquitetura do sistema, e sim aumentou a ajuda estatal e reforçou as proteções, reduzindo gradualmente o número de americanos sem seguro a 10% dos menores de 65 anos.

A maioria republicana tentou este ano revogar o Obamacare, mas fracassou pelas divisões internas no partido, desatando a ira de Trump.

Nesta quarta, um grupo de senadores republicanos fez uma última tentativa de manter esta promessa de campanha ants data limite de final de setembro, quando termina o ano fiscal. "Não estou disposto a me render", garantiu o senador Lindsey Graham.

Os democratas, no entanto, veem com preocupação como o Obamacare é sabotado pelo governo Trump, que diminuiu significativamente as campanhas de promoção e alguns subsídios.

Para os líderes da oposição, a prioridade é proteger as conquistas da lei de Obama e manter distância com Sanders para criar um espaço para dialogar com os republicanos.

Acima de tudo, aposta em se tornar maioria na Câmara nas eleições de meio de mandato, em novembro de 2018, o que implica em reconquistar as regiões que votaram majoritariamente a favor de Trump no ano passado. Por isso, preferem ser percebidos como democratas moderados e não "soldados de Bernie".

"Estão comentando o maior erro de suas vidas", afirmou o representante republicano Tom Cole, consultado sobre o plano de Sanders.

Hillary não mudou de opinião. Em meio à promoção de seu livro, no qual fala sobre sua derrota, reiterou que a proposta de Sanders só será avaliada uma vez seus custos sejam calculados. "Sou a favor da cobertura universal de atenção médica de alta qualidade e acessível a todos os americanos, e creio que há muitas maneira de se chegar a isso", afirmou Hillary em entrevista ao Vox.com.

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