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Estado de Minas

Saint Martin tem fome e sede após passagem do furacão Irma


postado em 13/09/2017 11:40

"Tenho fome e sede". Uma grávida chora ao receber uma garrafa e um pacote de amêndoas diante de um caminhão de mantimentos em uma área de distribuição criada na ilha de Saint Martin para as vítimas do furacão Irma.

Muitas pessoas comparecem ao local, esgotadas. Diante da fila, a Cruz Vermelha estabelece um cordão de segurança para conter a pressão da multidão.

"São alimentos da reserva de uma empresa. Depois, deve passar um caminhão de água", afirma Joachim, que organiza a distribuição para uma ONG.

Os bombeiros passam os produtos para a distribuição. Outros procuram os mais frágeis entre a multidão: idosos, grávidas e crianças têm prioridade.

Também tentam tranquilizar os que se assustam com o tamanho da fila.

"Enquanto tivermos pessoas dentro do contêiner, senhora, é porque ainda restam mantimentos", explicou um deles a uma mulher.

Eles distribuem produtos frescos, como ovos, frango, ou leite. A fila começou a ser formada muito antes da chegada do caminhão-contêiner, às 10h locais. Alguns aguardam há mais de duas horas. O calor é forte.

"Ficamos sabendo que aconteceria uma distribuição pela rádio de emergência", conta Pierre-Richard Gaspard, enquanto seu vizinho foi avisado por outra pessoa.

No local, as pessoas ignoram o discurso do presidente francês, Emmanuel Macron, que chegou à ilha na terça-feira (12). Em seu pronunciamento, Macron estabeleceu como prioridade o restabelecimento da segurança, após os saques dos últimos dias.

Para os moradores, a prioridade é obter comida e, sobretudo, água potável.

Sandrine espera desde 07h45. Tem sede e calor.

"Não temos água, como vamos fazer? Não restou nada em casa". Enquanto fala, não consegue conter as lágrimas. Uma amiga a abraça: "Vai ficar tudo bem, vamos ajudar uns aos outros".

Na fila, a tensão aumenta. "Nos levam de um lado para o outro", grita uma mulher que se apresenta como MJ.

"E, quando chegamos, temos que ir para outro lugar, porque não sobrou nada. Ficamos sem carro, sem casa, sem água, sem comida, e isso aqui demora demais", protesta.

Alguns consideram impossível conseguir algo e arriscam a sorte em uma loja nas proximidades, que abre as portas esporadicamente e seleciona os clientes na entrada para evitar distúrbios.

Uma hora mais tarde, na área de distribuição, a fila diminuiu, e o contêiner está quase vazio. Todos os que esperaram já receberam mantimentos e deixam o local com um leve sorriso. Eles agradecem pela comida. Mas saem sem água.

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