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Estado de Minas

Mais de 300.000 rohingyas fugiram para Bangladesh; "limpeza étnica" segundo a ONU


postado em 11/09/2017 10:22

O número de muçulmanos rohingyas que se refugiaram em Bangladesh para fugir da violência em Mianmar superou a barreira de 300.000 em pouco mais de duas semanas, anunciou a ONU, que denunciou "exemplo clássico de limpeza étnica".

Neste contexto, o Dalai Lama em pessoa pediu à líder de fato de Mianmar, a prêmio Nobel da Paz Aung Sang Suu Kyi, que encontre uma solução pacífica para a crise dos rohingyas, uma minoria muçulmana apátrida, vive décadas de perseguição.

"Calculamos em 313.000 o número de rohingyas que entraram em Bangladesh desde 25 de agosto", afirmou à AFP Joseph Tripura, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

O fluxo de rohingyas fugindo a pé, enfrentando lama e chuva, parece ter diminuído nos últimos dias, após um pico na semana passada. Mas o Bangladesh enfrenta uma crise humanitárias, com campos de refugiados superlotados.

Os rohingyas, tratados como estrangeiros em Mianmar, país onde mais de 90% da população se declara budista, são considerados apátridas, apesar da presença de algumas famílias há várias gerações no país.

Os ataques violentos dos rebeldes rohingyas contra postos policiais no fim de agosto provocaram uma nova onda de repressão do exército birmanês, que resultou na fuga de centenas de milhares de pessoas, além de ao menos 500 mortos, de acordo com os militares. A ONU evoca o dobro de vítimas fatais, vilarejos incendiados e abusos.

No domingo, os combatentes rebeldes rohingyas declararam uma trégua unilateral de um mês. O grupo armado pediu a "todos os atores humanitários" que retomem a ajuda às vítimas desta crise e ao governo de Mianmar que respeite a trégua.

A primeira resposta do governo birmanês, no entanto, não foi positiva. "Não negociamos com terroristas", afirmou Zaw Htay, conselheiro do governo de Mianmar.

Relatórios e imagens de satélite

O Conselho de Direitos Humanos da ONU criou em 24 de março uma missão internacional independente para investigar a violência contra a minoria muçulmana, mas Mianmar não autorizou a viagem dos especialistas à região.

"Como Mianmar rejeitou o acesso aos investigadores de direitos humanos, a situação atual não pode ser completamente avaliada, mas a situação parece ser um exemplo de livro didático de limpeza étnica", declarou, na abertura da 36ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein.

"Recebemos múltiplas informações e imagens de satélite que mostram as forças de segurança e as milícias locais incendiando vilarejos rohingyas, assim como informações coerentes que citam execuções extrajudiciais, incluindo tiros contra civis em fuga", completou.

Testemunhos neste sentido também foram recolhidos pela AFP.

"Esta operação (...) é claramente desproporcional e não leva em consideração os princípios fundamentais do direito internacional", concluiu o Alto Comissário.

O Dalai Lama, líder espiritual dos tibetanos e admirado por Aung San Suu Kyi, escreveu à líder política birmanesa pedindo que "tente restaurar relações serenas na população em um espírito de paz e reconciliação".

O Dalai Lama é o caso mais recente de um vencedor do Nobel da Paz a falar sobre a onda de violência. Outros dois premiados - Malala Yousafzai e Desmond Tutu - pediram nos últimos dias a Aung San Suu Kyi que esteja à altura do Nobel da Paz que venceu em 1991.

O serviço de imprensa de Aung San Suu Kyi se contentou nesta segunda-feira a anunciar a intervenção da polícia no domingo à noite no centro do país para dispersar 400 pessoas que jogavam pedras em um açougue muçulmano.

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