"Eu sou Betty, a feia" está de volta.
Dezesseis anos depois da exibição do último capítulo da produção colombiana que conquistou vários países e teve várias versões, Beatriz Aurora Pinzón Solano deverá enfrentar novos desafios na Ecomoda, a empresa em concordata na qual trabalha como secretária e vive uma eterna paixão por seu patrão, o neurótico Armando Mendoza.
"É um presente para o público, para todos os fãs da Betty e para nós também. É uma oportunidade linda de retomar algo que significou tanto para todos nós", declarou à AFP Ana María Orozco, a atriz que vai viver novamente a personagem que conquistou o carinho dos telespectadores.
O último capítulo da telenovela, declarada em 2010 como a de maior sucesso de todos os tempos pelo Guinness World Records, foi visto na Colômbia em maio de 2001 e mostrou o casamento de Armando, interpretado por Jorge Enrique Abello, e Betty, que sofre um extreme remake e fica bonita.
"A obra é um novo capítulo de cerca de uma hora e meia que transcorre em meio à falência da Ecomoda e das tentativas de Betty - ainda feia - por salvá-la", conta Natalia Ramírez, que vive Marcela Valencia, a noiva de Armando e uma das vilãs da história.
Ramírez, produtora do projeto, explica que a peça foi criada para que atraia a atenção dos fãs ou mesmo de quem nunca tenha visto a novela.
"Tentamos fazer um espetáculo completo, utilizando todos os elementos do teatro", assegurou, por sua vez, Mario Ribero, o diretor da novela e agora da peça, acrescentando que a essência de cada personagem foi preservada.
A ideia de levar a novela para os palcos ocorreu há 15 anos, mas o projeto não foi avante. "Na ocasião, estávamos todos muito cansados e todo mundo queria espairecer", explicou Ramírez.
Mas, em agosto passado, ele se reuniu com o autor de "Betty", Fernando Gaitán, que aceitou o projeto apenas se todo o elenco fosse reunido.
- Turnê internacional -
Ramírez aceitou a tarefa e convenceu todos os 15 atores originais. Alguns não puderam aceitar devido a compromissos anteriores, como Mario Duarte (Nicolás Mora, o amigo feio de Betty) e Ricardo Vélez (o sedutor Mario Calderón).
Gaitán entregou o texto final um mês depois e agora, além da turnê nacional, já pensam em viajar para outros países, como Estados Unidos, México, Argentina e Chile, onde a novela fez muito sucesso e teve versões locais.
"Isso é como 'Chávez', estamos diante de uma obra mítica, que conquistou todo o mundo", afirma Julián Arango, que vive mais uma vez Hugo Lombardi, o mordaz e cruel estilista com fobia de feiura.
O elenco concorda que que Betty virou um clássico. A novela foi transmitida em mais de 120 países, incluindo o Brasil, e teve ao menos 28 adaptações, um 'spin-off' ("Ecomoda") e até uma versão animada. Nos Estados Unidos, virou uma série, "Ugly Betty", que ganhou novos ares.
"As pessoas não querem que morra e, sim, que continue pertencendo em sua retina, em sua mente", assegura Abello.
Apesar de a peça ter novos personagens, como um empresário italiano que se envolverá com o "Quartel das Feias", o grupo cômico de secretárias e amigas incondicionais da protagonista, algumas ausências e atores substitutos, a fórmula de sucesso não sofreu variações.
"Betty continua sendo Betty, a feia", conclui Abello.
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