Publicidade

Estado de Minas

Chefe do Eurogrupo descarta demissão por tensão com países do sul


postado em 22/03/2017 14:46

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, afirmou nesta quarta-feira que não pensa em se demitir, apesar de lamentar que alguém tenha se sentido ofendido por suas declarações insinuando que os países do sul da Europa gastaram dinheiro com "bebida e mulheres".

Vários líderes do sul da Europa reclamaram sua demissão por causa de suas palabras "racistas", "sexistas" e "infelizes".

Em uma longa entrevista publicada na segunda-feira pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, Dijsselbloem afirma que "na crise do euro, os países do norte da zona euro se mostraram solidários com os países em crise".

"Para mim, social-democrata, acho que a solidariedade é muito importante. Mas quem reclama também tem deveres. E não posso gastar todo meu dinheiro em schnaps [um tipo de bebida alcóolica) e mulheres e continuar pedindo ajuda", acrescentou.

Esta metáfora não foi muito bem recebida pelos países do sul da Europa, mais castigados pela consequências do crash financeiro de 2008 e que se viram obrigados a adotar medidas de austeridade.

Inclusive seu antecessor no cargo até 2013, o atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, questionou suas palavras.

"Cada um é responsável por suas próprias palavras (...) O presidente Juncker seempre expressou seu respeito, simpatia e, inclusive, amor pela sul da Europa", afirmou seu porta-voz, Margaritis Schinas.

Segundo Dijsselbloem, suas declarações se dirigiam a todos os países do euro e não apenas os do sul.

"Acho que devemos ser claros; todos devemos fazer o melhor e respeitar as regras pelo futuro da união monetária do Eurogrupo".

A polêmica também acontece depois que Dijsselbloem já se vira questionado esta semana sobre sua continuidade à frente do Eurogrupo até janeiro de 2018 pela dura derrota de seu partido trabalhista nas recentes eleições legislativas na Holanda.


Publicidade