O Peru tentava se recompor, neste domingo, dos estragos causados em sua costa pelos deslizamentos de terra e pedras, assim como pelo transbordamento dos rios que, após atingirem a capital, afetavam novamente o norte, inundando cidades e bloqueando estradas.
No sábado, uma forte cheia - a quinta dos últimos dias - chegou à cidade de Trujillo.
Os "huaicos", como são conhecidas no Peru as avalanches após fortes chuvas e transbordamento dos rios, voltaram a deixar as ruas da cidade cheias de lama e complicaram a operação no aeroporto local.
"Estou há mais de cinco dias preso em Trujillo.
As chuvas tampouco paravam no norte. Em Piura, as ruas voltavam a ficar alagadas com a passagem do El Niño Costeiro.
O último informe do Centro de Operações de Emergência Nacional (CEO) do Ministério da Defesa reporta 75 mortos pelas inundações desde janeiro. Foram registrados 99.475 desalojados e 626.928 afetados.
A ajuda humanitária é arrecadada pelo governo e por instituições privadas e enviada por meio de aviões e barcos. "Esta crise vai passar e enquanto isso devemos nos ajudar e nos solidarizar com as vítimas desses problemas", disse o presidente, Pedro Pablo Kuczynski.
As chuvas deixaram a cidade de Huarmey submersa, com relatos de alagamentos de mais de um metro de altura.
O prefeito de Huarmey, Miguel Sotelo, irrompeu em uma coletiva de imprensa do presidente na noite de sexta-feira para pedir ajuda.
O governo assegurou que estava resolvendo o problema. "Em Huarmey e Casma tivemos três pontes destruídas e recuperamos a conexão", explicou o ministro dos Transportes, Martín Vizacarra.
Na noite de sábado foi reportada a queda da ponte Virú, que liga Trujillo a Lima. "A ponte caiu, é a via que une o norte do Peru com Lima. Este é um pedido de ajuda", disse à imprensa o prefeito de Virú, Ney Gamez.
Vizcarra informou que estavam sendo levadas estruturas para recuperar a conexão com o norte do país em 24 horas.
Os alimentos e a água potável estão acabando em Lima e no norte do Peru. Nos supermercados e lojas não uma só garrafa de água, pois todas foram vendidas. De madrugada é possível ver longas filas se formando nas ruas e parques à espera da chegada dos caminhões-pipa.
A aprovação de Kuczynski caiu para 32% em março, seis pontos percentuais a menos do que em fevereiro, afetada pelos efeitos do "El Niño Costeiro", segundo uma pesquisa do Ipsos Peru, publicada no jornal El Comercio neste domingo.
A desaprovação do presidente ficou em 58%, enquanto 10% preferem não opinar, segundo a pesquisa realizada com 1.250 pessoas entre 15 e 17 de março em nível nacional, com uma margem de erro de +/- 2,8%.
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