O departamento americano de Estado apresentou nesta sexta-feira seu relatório global sobre a situação dos Direitos Humanos em 2016, em um evento discreto e sem a presença do secretário de Estado, Rex Tillerson, rompendo uma tradição da diplomacia americana.
Este ano, o novo governo republicano optou por colocar discretamente o relatório em seu site e convocar uma teleconferência com um funcionário não identificado.
De acordo com este funcionário, "a situação global dos direitos humanos é mista, com progresso em alguns lugares (...) e retrocesso em outros".
Para o funcionário, "a situação global nunca é estática de um ano para o outro, como é o caso este ano".
O papel de Tillerson no relatório se limitou a um prefácio de página e meia onde informa que o documento está destinado ao Congresso para servir aos legisladores como um guia sobre o estado dos direitos humanos em todo o mundo.
Na teleconferência, o funcionário negou que Tillerson tenha pretendido manter distância do conteúdo do relatório, e recordou que na audiência no Senado antes de sua posse manifestou sua visão sobre a importância da defesa dos direitos humanos.
Consultado sobre se Tillerson pretende comentar publicamente o relatório, o funcionário declarou apenas que o documento "fala por si mesmo". "Estamos muito, muito orgulhosos do relatório".
O documento traça um panorama das políticas públicas aplicadas para os direitos humanos e, em linhas gerais, é uma atualização da edição de 2015 com casos pontuais.
Sobre o Brasil, o documento menciona rapidamente o impeachment de Dilma Rousseff e acrescenta que "as autoridades brasileiras, no momento, não têm controle efetivo sobre suas forças de segurança".
No caso da Argentina, por exemplo, o documento destaca a preocupação de entidades argentinas de direitos humanos com a detenção da ativista Milagro Sala, mas não formula qualquer recomendação sobre o tema.
Sobre a Venezuela, o relatório apresenta textualmente trechos da edição anterior e reitera as denúncias sobre pressões e detenções de opositores, assim como limitações à liberdade de imprensa.
