O pagamento de subornos no Panamá pela construtora brasileira Odebrecht para obter contratos "era um segredo de polichinelo", disse neste domingo a vice-presidente e chanceler do Panamá, Isabel de Saint Malo, que exigiu da empresa a devolução do dinheiro.
"Aqui há uma empresa onde era um segredo de polichinelo que havia ocorrido em governos anteriores atos de corrupção", disse Isabel em entrevista ao canal panamelho RPC.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou em dezembro um relatório que indica que a Odebrecht pagou no Panamá entre 2010 e 2014 mais de 59 milhões de dólares em subornos em troca de contratos avaliados em mais de 175 milhões de dólares.
Para Isabel, "está documentado" e não há "espaço para dúvidas" de que, no Panamá, "recebeu-se dinheiro fruto de contratos com o governo nacional em que esta empresa ofereceu comissões a parentes de autoridades do alto escalão".
Após o escândalo, o governo do Panamá proibiu a Odebrecht, um dos principais contratantes no país centro-americano, de participar de licitações públicas até que devolva o dinheiro das comissões.
"O país tem o direito de saber quem recebeu esse dinheiro, quanto recebeu, e que esta empresa devolva ao país o que lhe corresponde", reclamou Isabel, que pediu às autoridades judiciais panamenhas uma ação rápida.
Até o momento, a Controladoria do Panamá ordenou a investigação de Carlos Ho González, funcionário do Ministério Público nos governos de Martín Torrijos (2004-2009) e Ricardo Martinelli (2009-2014), "por suposto enriquecimento não justificado", embora ele tenha negado a acusação.
Embora os documentos não citem nomes, a imprensa vinculou dois filhos de Martinelli à trama internacional, o que eles também negaram.
Martinelli, que vive um exílio voluntário em Miami, é procurado pela Justiça do seu país, que o acusa de espionar opositores de seu governo e o investiga por diferentes casos de corrupção.
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