O Equador entrou, nesta terça-feira (3), em campanha para as eleições de 19 de fevereiro, das quais surgirá o sucessor do presidente Rafael Correa, no poder desde 2007 e que decidiu não se candidatar a um quarto mandato consecutivo.
Cerca de 12,8 milhões de equatorianos são esperados nas urnas para escolher entre oito candidatos.
"Iniciamos em 3 de janeiro um processo importante dentro do caminho para as eleições gerais de 2017 e também dentro do processo da consulta popular dos paraísos fiscais", disse o presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Juan Pablo Pozo.
Também serão eleitos o vice-presidente, 137 deputados para a unicameral Assembleia Nacional e cinco parlamentares andinos para o período 2017-2021.
O CNE destinará um fundo de 576.751 dólares para a publicidade de cada uma das chapas à Presidência. Na campanha, são proibidas mensagens que induzam à violência, à discriminação, ao racismo, à toxicomania, ao sexismo, à intolerância religiosa, ou política, assim como outros atentados aos direitos civis.
Para evitar um segundo turno, o vencedor de 19 de fevereiro deve obter 40% dos votos válidos e uma diferença de 10 pontos em relação ao segundo colocado. Caso isso não aconteça, o segundo turno está previsto para 2 de abril.
Lenín Moreno, a carta do governo
Sem Correa no páreo, o movimento oficialista Alianza País (socialista) espera se manter no poder com Lenín Moreno, que sofre de uma paraplegia que o obriga a se movimentar de cadeira de rodas.
Ex-vice-presidente de Correa entre 2007 e 2013, Correa lidera as intenções de voto, com percentuais de 36% e 29%, como mostram as mais recentes pesquisas das empresas privadas Cedatos e Market, respectivamente.
Atrás dele, aparecem o ex-banqueiro Guillermo Lasso (movimento CREO, de direita); a ex-deputada Cynthia Viteri (Partido Social Cristão, de direita); e o general reformado Paco Moncayo (Esquerda Democrática, centro esquerda).
Lasso conta com 22% das preferências, e Viteri, com 11%, segundo a Cedatos. Já na Market a ex-parlamentar tem 19%, seguida do ex-banqueiro, com 18%. Em quarto, está Moncayo, ex-prefeito de Quito, com 7% e 15%, respectivamente.
Outros nomes da corrida eleitoral são o advogado e ex-jogador de futebol Dalo Bucaram (Fuerza Ecuador, populista), filho do ex-presidente Abdalá Bucaram (agosto de 1996 - fevereiro de 1997); o ex-procurador-geral Washington Pesántez (Unión Ecuatoriana, centro esquerda); Patricio Zuquilanda (Sociedad Patriótica, centro), chanceler do derrocado presidente Lucio Gutiérrez (2003-2005); e o médico Iván Espinel, o mais jovem com 33 anos (Compromiso Social, centro).
Diálogo, proteção e emprego
Moreno deu a largada em sua campanha em Quito, em um abrigo para idosos, onde anunciou uma pensão para "todos os nossos velhinhos" e um programa especial de saúde para os primeiros mil dia de vida dos recém-nascidos. O custo deve chegar a US$ 680 milhões anuais.
"Este é um Equador, no qual vamos dialogar, respeitar", afirmou, mostrando-se disposto a debater sobre o "futuro" da nação, que enfrenta problemas em sua dolarizada economia pela queda do preço do petróleo e da valorização da moeda americana.
Na capital, Viteri se reuniu com representantes de um sindicato de artesãos, prometendo proteger a categoria da "concorrência desleal" dos países vizinhos e "baixar os custos de produção".
Já Lasso cumpriu atividades em seu reduto eleitoral de Guayaquil, principal polo econômico do Equador.
"Nossa proposta é criar um milhão de empregos", disse à AFP.
Funcionários e paraísos fiscais
O presidente equatoriano que mais tempo ficou no cargo depois da crise institucional que levou o país a ter sete governantes entre 1996 e 2007 (três deles vítimas de golpe), Correa foi eleito em históricos primeiros turnos em 2009 e 2013.
O governo obteve várias vitórias eleitorais consecutivas, incluindo consultas populares para aprovar a atual Constituição de viés socialista (em vigor desde 2008). Nas eleições municipais de 2014, sofreu um duro golpe, ao perder prefeituras de várias cidades importantes como Quito e Cuenca (sul).
Depois de receber a aprovação da Corte Constitucional, Correa convocou por decreto, há um mês, a consulta popular sobre a possibilidade de proibir que servidores públicos tenham bens e dinheiro em paraísos fiscais.
Em caso de vitória do "sim", os funcionários públicos deverão acatar o mandato e se desfazer de seus bens nos paraísos fiscais no prazo de um ano.
Representantes da oposição, entre eles Lasso, são contra essa proibição.
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