De um lado, um republicano que pretende expurgar a imigração ilegal, revogar decisões populares do governo de Barack Obama e tomar medidas controversas na economia. Um magnata conservador que ganhou fama pelo discurso intempestuoso e intolerante. De outro lado, uma democrata envolta em um escândalo, após utilizar um servidor privado de e-mails enquanto secretária de Estado. Uma ex-primeira dama que deseja honrar o legado do primeiro presidente afro-americano do país.
Leia Mais
Obama pede vitória da 'esperança' e Clinton promete unir os EUAConheça o que está em em xeque nas eleições dos EUA Eleições nos Estados Unidos provocam temor em Governador ValadaresEleições nos EUA será de disputa apertadaEUA decidem entre Hillary e Trump após campanha longa e amargaCentros de votação nas eleições presidenciais dos EUA são abertosMadrugada de reviravolta aumenta a expectativa da apuração de votos na CaliforniaTrump concede entrevista à Fox News e diz que irá vencer em estados-chaveHillary Clinton vota nas presidenciais dos EUAEntenda a história e processo da eleição presidencial nos EUAEntenda como funciona o sistema eleitoral norte-americanoCaso Trump contrarie as pesquisas recentes e saia vencedor, uma das principais conquistas sociais de Barack Obama estará fadada à extinção imediata. “Trump e um provável Congresso republicano vão revogar o Obamacare, resultando em cortes massivos para dezenas de milhões de norte-americanos”, alerta ao Estado de Minas Bruce Ackerman, professor de direito e de ciência política da Universidade de Yale.
Ackerman aposta que os principais desafios do próximo presidente dependerão do resultado das eleições para o Congresso. Uma vitória de Trump deve surtir na maioria republicana no Senado e na Câmara dos Deputados, o que daria força ao magnata para implementar o seu programa de governo. “Qualquer coisa que ocorra envolverá expulsões em massa de imigrantes não documentados e severas restrições sobre a imigração, além de revogação das iniciativas de saúde de Obama”, admite. O especialista prevê que, caso Clinton se torne a primeira mulher presidente dos EUA, terá maioria bastante apertada no Senado e será obrigada a confrontar uma maioria republicana na Câmara. Cenário que barraria legislações progressistas, obrigando-a a governar por decreto.
DEVER DE CASA Ainda no cenário interno, a economia deve exigir medidas impopulares do próximo mandatário. Eric Maskin, professor de economia da Universidade de Harvard e Prêmio Nobel de Economia em 2007, aposta que o principal desafio doméstico do novo ocupante da Casa Branca será fazer algo para melhorar as condições das classes de baixa e de média renda. “O plano de Trump de cortar os impostos para os mais ricos não seria bom para o país. Seu programa econômico é incoerente e perigoso. Ele propõe um grande acordo de gastos adicionais, enquanto, ao mesmo tempo, defende imensos cortes tributários”, afirma, por e-mail.
Ao declarar guerra aos 11,5 milhões de imigrantes ilegais, Trump pode perder votos valiosos dos hispânicos, que devem comparecer às urnas em peso, hoje. De acordo com uma pesquisa do instituto Pew Research Center, os estrangeiros não documentados representam 5% da força de trabalho. Hillary entende que, em vez da política xenofóbica de Trump, os EUA precisam reconhecer os esforços dos imigrantes e a sua contribuição para a economia nacional. Medidas impopulares podem abrir um mal-estar diplomático com o México e aguçar o descontentamento da população de latinos.
A política externa norte-americana promete ser uma área pantanosa, capaz de representar riscos à estabilidade mundial.
Durante a campanha política, o Estado Islâmico (EI) alimentou fortes debates. Hillary acusa Trump de “alimentar” os jihadistas com a retórica racista. O republicano adverte que a facção tomará os Estados Unidos, caso a democrata vença, e sugere relegar a guerra na Síria para o segundo plano. “Nós vamos acabar na Terceira Guerra Mundial sobre a Síria, se escutarmos Hillary Clinton”, disse Trump. Ontem, durante discurso em Raleigh (Carolina do Norte), o republicano anunciou que vai cortar “bilhões de dólares” em repasses para as Nações Unidas..