Miami – A democrata Hillary Clinton, de perfil progressista, ou o republicano Donald Trump, de DNA conservador? Um deles será eleito hoje o 45º presidente dos Estados Unidos, numa disputa marcada mais por escândalos e baixa popularidade dos candidatos do que por propostas que entusiasmassem os eleitores. De qualquer forma, a corrida à Casa Branca ganhou status de histórica e é acompanhada de perto pelo planeta, dada à tese de que a recuperação da economia global passa pelo sucesso da americana.
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Eleição americana começa em pequena localidade de New HampshireEUA decidem entre Hillary e Trump após campanha longa e amargaObama pede vitória da 'esperança' e Clinton promete unir os EUATrump concede entrevista à Fox News e diz que irá vencer em estados-chaveHillary Clinton vota nas presidenciais dos EUAEntenda a história e processo da eleição presidencial nos EUACentros de votação nas eleições presidenciais dos EUA são abertosConheça o que está em em xeque nas eleições dos EUA Entenda como funciona o sistema eleitoral norte-americanoOntem, pesquisas apontavam para liderança de Hillary, por aproximadamente 2,7 pontos percentuais na corrida eleitoral, embora a dinâmica dos últimos 10 dias de campanha tenha sido favorável a Trump. Na última enquete realizada pela rede CBS, a vantagem de Hillary era de quatro pontos (45% contra 41%). Um modelo matemático de projeção elaborado pela rede de televisão NBC indica que Hillary Clinton já teria assegurado pelo menos 274 votos no colégio eleitoral, quatro a mais do que os necessários para selar sua vitória.
O site especializado FiveThirtyEight atribui a Hillary Clinton 67,9% de probabilidades de ganhar as eleições, contra 32,1% para Trump.
A vantagem, no entanto, não garantiu tranquilidade para a véspera da votação. Famosos também foram à batalha. O presidente Barack Obama, que venceu a democrata na convenção do partido em 2008 e é seu principal cabo eleitoral, pediu apoio a ela em Washington, Michigan e Filadélfia. “Peço a vocês que façam por Hillary o que fizeram por mim”, disse Obama a uma multidão em Ann Arbor, Michigan. Os próprios candidatos tiveram uma segunda-feira agitada, percorrendo estados em que o eleitorado está indeciso.
Hillary Clinton se comprometeu a trabalhar pela união nacional, caso chegue à Casa Branca.
A Flórida, inclusive, será um dos estados decisivos no pleito, onde, em Miami, seis em cada 10 moradores são estrangeiros. A disputa por lá está tão acirrada que especialistas evitam arriscar um placar. Aliás, a Flórida é o principal estado pêndulo (swing-state), região em que os eleitores não têm uma preferência clara por determinado candidato.
Uma história contada pela cubana Darlin Gonçales, de 23 anos, deixa clara como anda a disputa no estado: “Na universidade em que estudo, um professor pediu aos alunos da classe que escrevessem o nome de quem levaria seu voto neste ano. Houve empate entre Hillary e Trump”. Os cerca de 1,3 milhão de brasileiros que vivem nos EUA também estão na corda bamba, tendo em vista a nenhum dos dois candidatos ter encantado.
Outros estados também são pêndulos e, ontem, receberam os presidenciáveis.
Tradicionalmente, a maioria dos 50 estados vota no mesmo partido a cada eleição, independentemente de quem seja o candidato. O da Califórnia, o mais populoso e por isso com maior número de delegados (55), costuma apostar nos democratas. Já o Texas, segundo mais populoso (38 delegados), sempre avaliza a legenda republicana. Outros estados, porém, oscilam entre as duas siglas.
CUSTO A sucessão de Barack Obama não é algo barato.
* O repórter viajou a convite do governo dos EUA.