Os seres humanos começaram a se instalar no interior da Austrália 10.000 anos antes do que se acreditava anteriormente, disseram cientistas nesta quinta-feira, depois de descobrir milhares de artefatos e ossos em um abrigo rochoso.
Acredita-se que os humanos tenham chegado à Austrália há cerca de 50 mil anos. Mas o momento do seu assentamento no interior árido, seu uso de ferramentas e sua interação com animais antigos têm sido debatido.
Os pesquisadores disseram que as descobertas no Flinders Ranges da Austrália do Sul, a 450 quilômetros da capital do estado, Adelaide, mostraram que os seres humanos ocuparam o local de 49.000 a 46.000 anos atrás.
"Apresentamos evidências do abrigo de Warratyi no interior do sul que mostra que os seres humanos ocuparam a Austrália árida há cerca de 49 mil anos, 10.000 anos mais cedo do que o relatado anteriormente", disse o artigo publicado na revista científica Nature.
Os objetos recuperados de camadas de sedimentos também representaram o uso mais antigo conhecido na Austrália de ferramentas de ossos (40.000 a 38.000 anos atrás) e pigmentos como o ocre vermelho (49.000 a 46.000 anos atrás).
"Isso complementa o trabalho que tem sido feito nas costas da Austrália. Isso se encaixa com este limiar de datas (...) entre 45.000 e 50.000 (anos atrás)", disse a jornalistas o arqueólogo Giles Hamm, da Universidade La Trobe do Sul da Austrália, o principal pesquisador do estudo.
"O que é diferente neste trabalho é que este é o local mais antigo mais ao sul do continente (...).
"Se as pessoas estavam chegando 50.000 mil (anos atrás), isso significa que as pessoas estavam se movendo em uma série de direções, talvez. E temos algumas novas evidências genéticas que também podem acrescentar dados a essa questão", afirmou o arqueólogo.
O estudo - do qual também participaram a Universidade de Adelaide, a Universidade Flinders e Clifford Coulthard, da Associação de Terras Tradicionais Adnyamathanha - recuperou 4.300 artefatos, três quilos de ossos, ocre e matéria vegetal.
Um pedaço de osso recuperado foi identificado como proveniente de um Diprotodon optatum, o maior marsupial conhecido, enquanto uma casca de ovo foi ligada a um pássaro gigante extinto, sugerindo que os seres humanos estavam interagindo com animais antigos, disse o especialista em megafauna Gavin Prideaux, da Universidade Flinders.
"É evidente que os seres humanos viveram ao lado desses animais e os caçaram, então a ideia de que não havia nenhuma interação entre as pessoas e esses animais cai por terra", acrescentou Prideaux.
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