Genebra, 12 - A eleição do candidato republicano Donald Trump à presidência seria algo "perigoso do ponto de vista internacional", afirmou o chefe para Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Zeid Ra'ad al Hussein. Durante uma coletiva de imprensa sobre problemas como a violência na Síria e no Iêmen, Zeid afirmou que algumas das declarações de Trump são "profundamente perturbadoras".
"Se Donald Trump for eleito, com base naquilo que foi dito até agora e ao menos que isso mude, acredito que, sem dúvidas, seria algo perigoso do ponto de vista internacional", afirmou o representante da ONU a jornalistas em Genebra.
Leia Mais
Christie reitera apoio a Trump, mas critica seus comentários sobre mulheresTrump renova alerta sobre eleições fraudadas nos Estados UnidosNBC negocia saída de âncora, após gravação de conversa obscena com TrumpRedução de impostos prometida por Trump beneficia mais ricos, diz estudoTrump acusa republicanos de prejudicar sua campanhaSeguidoras de Trump ignoram escândalo por declarações ofensivas às mulheresCampanha de Trump demite funcionário que participou de manifestação no CNRZeid considerou que algumas declarações de Trump são inquietantes, particularmente no que se refere à tortura e à relação com "comunidades vulneráveis". Ele afirmou que não tem interesse em interferir em campanhas políticas em nenhum país. Ainda assim, declarou que sentiu a necessidade de falar por acreditar que as declarações de Trump sugerem que o candidato poderia favorecer um potencial de crescimento "no uso da tortura".
O comentário tende a levantar um debate na ONU sobre se o chefe para Direitos Humanos tem excedido suas funções ao fazer comentários sobre o candidato norte-americano e sobre líderes xenófobos em partes da Europa.
Apenas um dia antes, o embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, afirmou que Zeid não deveria criticar lideranças de Estado estrangeiras por suas políticas. "Não é a função dele, ele deveria ter mais foco em responsabilidades específicas", declarou.
Zeid foi alvo das críticas do embaixador russo após ter expressado preocupação com o que chamou de "demagogia populista". Nesta quarta, ele afirmou que reconhece que as regras da ONU demandam evitar a interferência em problemas "de jurisdição doméstica dos Estados". Apesar disso, afirmou que reclamações sobre interferências feitas, por exemplo, pela África do Sul do Apartheid, foram descartadas. .