Jornal Estado de Minas

Balanço do atentado de Bagdá se aproxima dos 300 mortos

Cerca de 300 pessoas morreram no domingo passado, em Bagdá, em um atentado suicida reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), segundo o último balanço anunciado nesta quinta-feira, em um dos ataques mais sangrentos jamais cometidos no Iraque.

O atentado com um carro-bomba deixou ao menos 292 mortos e aproximadamente 200 feridos, indicou a ministra de Saúde Adila Hammoud em um comunicado, aumentando o número do balanço anterior, que era de 250 mortos.

Segundo o comunicado, até agora 115 corpos foram identificados e entregues a suas famílias. As autoridades seguem com as tarefas de identificação de outras 177 pessoas mortas no atentado ocorrido em Karrada, um bairro de maioria xiita da capital iraquiana.

A área estava cheia de gente que fazia suas compras para a festa que marca o fim do Ramadã, o mês de jejum muçulmano.

O veículo que o camicaze explodiu estava carregado com explosivos plásticos e nitrato de amônia, indicou o general da polícia Taleb Khalil Rahi em uma coletiva de imprensa em Bagdá. Esta é a primeira vez que as autoridades informam do do tipo de bomba empregado em um ataque.

A explosão matou um número limitado de pessoas, mas as chamas provocadas se propagaram e atingiram quem estava nas lojas próximas, explicou o responsável policial.

Muitas das vítimas morreram queimadas, o que está dificultando as tarefas de identificação, enquanto o balanço mortal segue agravando desde domingo.

Diante da fúria das famílias que exigem informação sobre seus entes queridos, a ministra assegurou que ordenou ao pessoal médico que não detivesse o trabalho de identificação inclusive durante a festa de Aid el-Fitr, que se celebra desde quarta-feira. Também pediu com urgência aos parentes das vítimas que ajudem o departamento médico legal para dar amostras de DNA.

O atentado fez surgir novamente a ira dos iraquianos diante da incapacidade governamental para proteger sua população civil.

"Este governo corrupto chegou ao poder graças a nós (...) Os cidadãos devem derrubá-lo seja como for", assegurou Ali el Yassir, oriundo da cidade santa de Kerbala e presente em uma das vigílias em Bagdá.

O ministro iraquiano do Interior, Mohammed Al-Ghabban, que admitiu falhas nas medidas de segurança, demitiu-se dois depois do atentado.

O EI reivindicou este ataque, um dos mais sangrentos da história do país, mostrando que ainda é capaz de cometer ações devastadoras em pleno centro de Bagdá apesar das derrotas militares sofridas no Iraque nos últimos meses, com a perda de cidades como Tikrit, Ramadi e Fallujah, reconquistada em junho pelas forças iraquianas.

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