Um homem negro morreu nessa quarta-feira após ser baleado por um policial em uma blitz na cidade de Falcon Heights, em Minnesota, nos Estados Unidos. A namorada gravou com o telefone celular e transmitiu ao vivo os últimos momentos de Philando Castile, de 32 anos, que era funcionário de um refeitório escolar.
"Meu Deus, não me digam que morreu, não me digam que meu namorado foi embora assim... Foi atingido por quatro tiros, senhor", afirma a mulher no vídeo, divulgado ao vivo no Facebook e visualizado por dois milhões de pessoas nesta quinta-feira. Nele é possível ver o homem agonizando no banco do motorista com manchas de sangue na blusa. Sua filha de quatro anos também estava no carro. As imagens são muito fortes.
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Protestos na Louisiana por novo caso de violência policial contra um negroTiroteio mata três policiais em Baton Rouge, no estado americano da LouisianaAtirador de Dallas é identificado como Micah Johnson, de 25 anos Cinco policiais são assassinados em manifestação contra morte de negros nos EUANo vídeo, Lavish Reynolds explica que seu namorado estava procurando os documentos quando o policial atirou no braço, segundo a agência de notícias AFP. Castile tinha porte de arma de fogo, e estava procurando sua licença e os documentos de seu veículo quando a polícia atirou, segundo ela.
A polícia, por sua vez, disse que a morte estava sendo investigada e que o policial que efetuou o disparo foi afastado. A polícia também informou que no lugar do incidente foi encontrado um revólver.
Segundo ela, o agente, que ainda não foi identificado, era "chinês". Também explica que o veículo foi parado por uma luz de farol queimada, e que havia maconha no carro.
O delegado interino de polícia de St. Anthony, Jon Mangseth, afirmou que o incidente começou quando o oficial parou um veículo no subúrbio de Falcon Heights, perto das 21h (horário local). Não se sabe o motivo dos disparos.
No Facebook foi criado uma página intitulada "Justiça para Philando Castile", na qual se afirma: "Philando Castile morreu pelas mãos da polícia no dia 6 de julho de 2016. Exigimos justiça".
Perto do fim do vídeo, de 10 minutos de duração, a filha de Reynolds, de quatro anos, tenta tranquilizar a mãe aterrorizada.
Em entrevista à CNN no início da manhã, a mãe de Castile afirmou suspeitar que nunca iria saber o motivo real da morte de seu filho.
"Acredito que ele era apenas o cara negro no lugar errado", disse Valerie Castile, acrescentando que sempre pediu a seus filhos para fazer o que as autoridades pediam - uma forma de sobreviver.
"Eu conheço meu filho... nós sabemos que negros vem sendo mortos... Eu sempre falei para eles, quando um policial parar vocês, apenas obedeça, obedeça, obedeça."
Protestos na Louisianna
O governador da Louisianna, John Bel Edwards, anunciou na quarta-feira uma investigação federal depois que a polícia matou na véspera um homem negro em Baton Rouge, a capital do estado, provocando protestos indignados. O incidente também foi filmado com um telefone celular e divulgado na internet.
Os distúrbios em Baton Rouge começaram pouco depois que dois policiais mataram a tiros Alton Sterling com disparos à queima-roupa no peito na madrugada de terça-feira, em um incidente que foi presenciado por muitas testemunhas.
Sterling, de 37 anos, vendia cds fora de uma loja e sua morte provocou grandes protestos.
Um vídeo gravado por testemunhas e divulgado online mostra um oficial correndo atrás de um homem negro alto e magro, antes que outro agente o ajudasse a imobilizá-lo no chão e depois disparasse à queima-roupa quatro vezes.
Os procedimentos policiais já foram alvos de críticas nos Estados Unidos no passado após a morte do jovem negro Michael Brown, abatido por um tiro de um agente branco em 2014 em Ferguson, Missouri. Casos similares ocorreram em Chicago (Illinois) e Baltimore (Maryland). (Com agências).