"Dizem que estou velho, mas o coco (cabeça) e a experiência funcionam".
Ganhador das eleições com uma margem mínima de pouco mais de 40.000 votos no segundo turno presidencial contra Keiko Fujimori, este economista oferece seus conhecimentos e sua seriedade em um momento em que a população pede mão firme para reativar a economia e frear uma onda crescente de insegurança.
Nascido em Lima em 1938, 'o gringo', como é chamado por seu forte sotaque anglo-saxão, trabalhou duro para tentar superar a imagem de alguém afastado dos mais pobres e buscar uma aproximação com os Andes.
O popular "PPK", em alusão às suas iniciais, contou com a ajuda de um animal de estimação - o tradicional cuy andino, similar ao porquinho da índia, a quem seus seguidores denominam de PPKuy.
Ele recebeu o apoio da maioria dos candidatos que ficaram de fora do segundo turno e que temiam o retorno de um governo autocrata como o comandado pelo ex-presidente Alberto Fujimori, pai de sua adversária, e que desde 2009 cumpre pena de 25 anos de prisão por crimes de corrupção e contra a humanidade.
Filho de pai alemão e mãe franco-suíça, ele é primo do diretor de cinema Jean-Luc Godard e sua vida foi cinematográfica: nasceu no Peru e acompanhou seu pai, médico, em trabalhos sociais nas florestas do país, mas foi educado em Reino Unido, Suíça e Estados Unidos.
Sua esposa Nancy, americana, é prima da atriz Jessica Lange.
Em 2011 esteve próximo de passar ao segundo turno e desta vez conseguiu, novamente com o partido Peruanos Por el Kambio, que carrega suas iniciais.
"Com meu pai aprendi muitas coisas, entre elas a igualdade", disse o filho do médico que fugiu da Alemanha nazista na Segunda Guerra mundial e viajou pelo Peru fazendo trabalho social.
Adeus ao 'gringo'
Ele precisou renunciar à cidadania americana em meio ao receio de seus compatriotas, que temiam que isto pudesse servir para que ele fugisse da Justiça, como fez o peruano-japonês Alberto Fujimori, que se refugiu no Japão, em meio a um escândalo de corrupção no ano 2000.
PKK integrou diretórios de várias empresas e seus críticos expressaram temores de que defenda na Presidência interesses particulares.
"São besteiras", adverte. "Minhas mãos estão limpas", afirmou.
PPK foi ministro de Minas e Energia no segundo governo de Fernando Belaúnde nos anos 1980 e depois da Economia e primeiro-ministro na gestão de Alejandro Toledo (2001-2006), período caracterizado por um avanço dos resultados econômicos do país.
Favorável ao livre mercado, planeja reduzir impostos para reativar uma economia exportadora tradicional e criar três milhões de empregos, com investimentos públicos e privados.
"Eu não sou político, sou um economista que quer fazer algo por seu país", declarou o também concertista de flauta transversa do Royal College of Music, que trocou a música clássica pela música andina. Agora só o tempo dirá se no governo sua melodia encantará o público.
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